quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Seja seu melhor amigo
Analisar os próprios erros com generosidade, mas sem poupar críticas, pode trazer benefícios terapêuticos
© Pkchai/Shutterstock

Refletir sobre os próprios problemas equilibrando crítica e gentileza – como se estivéssemos ajudando um amigo a pesar perdas e ganhos de uma situação ruim – tem poder terapêutico, afirmam pesquisadores da Universidade da Califórnia. O grupo, que estuda os efeitos da autocompaixão, relatou na Psychological Science os resultados positivos de um estudo com homens recém-divorciados que foram incentivados a falar consigo mesmos como se conversassem com alguém de quem realmente gostavam e que passava por algo difícil.

“Não se trata de ter pena ou ser complacente. Compaixão é tentar entender a dor do outro e ajudá-lo a enxergar atitudes que contribuem para o sofrimento”, define a psicóloga Kristin Neff, professora da Universidade do Texas, especialista no tema, que acompanhou o trabalho do grupo. Estudos anteriores mostram que pessoas com autocompaixão evitam críticas duras e generalizações negativas sobre si e sobre os outros. “Elas têm maior tendência a encarar os erros como aprendizado”, diz a psicóloga, ressaltando que isso não significa serem condescendentes com o que desaprovam.

Várias pesquisas revelam que pessoas excessivamente críticas e as que revelam autocompaixão têm, em média, desempenho acadêmico e profissional semelhante – com a diferença de que as últimas reagem melhor quando não conseguem atingir algum objetivo. Segundo Kristin, isso ocorre porque elas não associam o sentimento de valor pessoal ao sucesso.

Em outro estudo da Universidade da Califórnia, voluntários disseram se sentir melhor depois de escrever cartas de apoio a pessoas que viveram experiências traumáticas, como machucar alguém em um acidente de trânsito. “Como muitos de nós descobrem intuitivamente, aproveitar oportunidades de ajudar os outros desvia o foco de problemas pessoais e, muitas vezes, revela que algo que antes considerávamos uma tragédia na verdade não é”, explica uma das autoras da pesquisa, Juliana Breines. E cultivar a autocompaixão, segundo Kristin, pode ser mais simples do que parece. Ela menciona um experimento que mostra que envolver os braços ao redor do próprio corpo, em um generoso “autoabraço”, nos deixa mais propensos a agir gentilmente.


Revista Mente Cérebro

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

50 anos da psicologia são comemorados em Ato Solene
 
Os 50 anos da Psicologia no Brasil foram comemorados nesta quinta-feira (23/8) com um Ato Solene que levou mais de 600 pessoas ao auditório Petrônio Portella, no Senado Federal. A senadora Marta Suplicy (PT-SP), que é psicóloga, comandou os trabalhos ao lado do presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Humberto Verona, da presidente da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), Fernanda Magano, da ex-presidente do CFP, a professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ana Bock, do ex-ministro de Direitos Humanos, diretor do Instituto Lula, Paulo Vannuchi e do vice-presidente de negócios dos Correios José Furian Filho.
A senadora parabenizou o Conselho pelas conquistas históricas nos últimos 50 anos e destacou a atuação das psicólogas e psicólogos como instrumentos para promoção de harmonia na sociedade. “A grande função do psicólogo é a de promover harmonia e tornar a sociedade mais justa”, afirmou. A senadora enfatizou, ainda, o poder de mobilização do CFP ao reunir mais de 500 pessoas na solenidade. “É muito significativo ver este auditório lotado, em um dia festivo como este para a profissão”.
Em seu discurso, o presidente Humberto Verona, fez uma retrospectiva histórica da profissão, mostrando um panorama da atuação das psicólogas e psicólogos desde a aprovação da Lei nº 4.119, em 1962, que regulamentou a profissão. “É irrefutável o progresso que a psicologia como ciência e profissão alcançou nos últimos tempos neste país, reflexo da preocupação humana n a busca da compreensão dos processos subjetivos presentes na vida moderna”.
Verona também destacou a responsabilidade da psicologia nas transformações sociais. “A psicologia assume novos papéis à luz dos direitos coletivos, direitos humanos e sociais. A atividade das psicólogas e psicólogos passa a se articular com as lutas sociais e têm sido incansável na denúncia de todo e qualquer tipo de violação de direitos”, afirmou.
O retorno da psicologia ao Congresso Nacional foi enfatizado pela professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Ana Bock. “A psicologia percorreu um caminho que volta a essa casa com outra natureza. Depois de 50 anos, sabemos que voltamos diferentes. Estamos voltando à sociedade brasileira, pois passamos a nos preocupar com a sociedade”. Ana Bock foi homenageada pelo CFP por sua atuação na profissão como porta voz do compromisso social em psicologia e recebeu uma placa de honra ao mérito.
A presidente da Federação Nacional dos Psicólogos (Fenapsi), Fernanda Magano, destacou as lutas e conquistas da categoria ao longo dos anos. “Temos importantes conquistas recentes como a aprovação da jornada das 30 horas na Comissão de Seguridade Social e Família. E estamos na luta incansável contra o ato médico. Quando falamos em ato médico queremos incentivar outros colegas a também se mobilizarem, pois estamos falando no respeito a todas as profissões”, enfatizou.
O ex-ministro de Direitos Humanos Paulo Vannuchi mencionou a importância da atuação do Conselho na defesa dos direitos humanos. “O CFP liderou a busca pelas discussões em torno dos direitos humanos e é extremamente responsável pela amplitude da luta antimanicomial. Graças à atuação do Conselho os direitos humanos podem seguir comemorando com a garantia de que a democracia brasileira vai avançar”, finalizou.

Selo comemorativo
Os 50 anos da psicologia foram eternizados na filatelia brasileira. Em homenagem à data a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) lançou um selo e um carimbo comemorativos. Os selos personalizados trazem um Ipê amarelo com o mapa do Brasil e do outro lado a marca comemorativa dos 50 anos. Já o carimbo traz a frase usada pelo Conselho nas comemorações: “50 anos da psicologia: muito a comemorar, muito mais a fazer”.
Segundo o vice-presidente de negócios dos Correios, José Furian Filho, as peças filatélicas além de circularem nas correspondências de todo o Brasil, vão enriquecer o acervo histórico da empresa. “A psicologia vem se expandindo marcada pela luta dos direitos humanos. O selo vem perpetuar o cinquentenário e esse momento festivo”.
As peças, emolduradas, foram entregues para todos os integrantes da mesa.


domingo, 26 de agosto de 2012

VERDADES E MITOS SOBRE O PSICÓLOGO (Parte 2 de 2)

O psicólogo vê "através" das pessoas?

Não, as pessoas não são transparentes e o Psicólogo não possui uma bola de cristal, nem é vidente. As pessoas vão se conhecendo através do diálogo, da entrevista e observação clínica, de provas psicológicas, do estabelecimento e construção da relação terapêutica.

- Psicólogos, Psiquiatras, Psicanalistas e Psicoterapeutas são os diferentes nomes de uma mesma coisa?

Não. Os Psiquiatras são médicos com especialização em Psiquiatria. Estes profissionais de saúde são responsáveis pelo tratamento farmacológico dos sintomas e, apesar de considerarem a complexidade e dinâmica da pessoa, focalizam-se principalmente sobre os aspectos fisiológicos das manifestações psíquicas indesejáveis (sintomas).

Os Psicólogos são profissionais de saúde cuja principal função é de avaliação psicológica, pois é essa que é específica do Psicólogo e que o distingue de qualquer outro profissional de saúde mental. Outra das suas funções é o acompanhamento psicoterapêutico. O Psicólogo tem contacto com várias abordagens psicológicas e pode optar por um desses campos teóricos, ou integrar saberes de diversas correntes.

Os Psicoterapeutas são Psicólogos ou Médicos que tiraram uma formação especializada em Psicoterapia numa determinada Sociedade após a conclusão da licenciatura em Psicologia Clínica. Existem diversos ramos de Psicoterapias (Psicanalítica, Cognitiva, Comportamental, Gestalt-terapia, Jungiana, Corporal, Centrada na Pessoa, Sistêmica, Integrativa, Breve, etc.) e o tempo de formação teórica e prática é variável. Um Psicoterapeuta tem um quadro teórico, formação e um setting específicos, objectivos concretos e funções sistematizadas.

Os Psicanalistas podem ser Psicólogos ou Médicos com formação em Psicanálise na Sociedade de Psicanálise. Possuem essencialmente a função analítica e o objectivo é a reestruturação/organização da personalidade através do aclaramento progressivo da dinâmica psicológica inconsciente.

Nota:
Sempre que procurar um Psicólogo não deve ter receio de pedir a carteira profissional e no caso de ser Psicoterapeuta deve certificar-se que a sua formação foi tirada numa Sociedade Psicoterapêutica

- Quanto tempo dura um tratamento psicológico? Qual é a frequência?

A duração do tratamento psicológico é muito variável. Se for apenas para fazer uma avaliação psicológica, pode demorar cerca de cinco sessões. Se a pessoa pretender iniciar acompanhamento psicológico ou psicoterapia a duração pode ser mais breve ou prolongada de acordo com os problemas e dificuldades da pessoa. Algumas pessoas resolvem os problemas num determinado período de tempo mas depois decidem continuar a psicoterapia porque querem optimizar as suas potencialidades, competências, conhecerem-se melhor ou resolverem outras questões que entretanto surgiram.

A frequência do tratamento deve ser semanal e pode variar entre uma e três vezes por semana. Caso a pessoa não tenha possibilidade de fazer uma psicoterapia mais regular, recomenda-se que pelo menos seja quinzenal.

- Eu terei de tomar medicamentos para melhorar?

Nem sempre é necessário tomar medicação para melhorar, por vezes a psicoterapia basta. Noutros diagnósticos, solicita-se a colaboração de um médico psiquiatra ou neurologista, consoante os casos, para uma orientação farmacológica. Os medicamentos poderão ser tomados num determinado período de tempo e depois em conjunto com o médico decide-se o momento de começar a reduzir, até já não serem necessários.

- As consultas de psicologia são muito caras?

As consultas de psicologia têm um preço de tabela definido mas depois cada Psicólogo adapta de acordo com a população, local e zona onde trabalha. Hoje em dia, muitos Psicólogos trabalham com acordos de saúde e fazem consultas mais econômicas para quem não consegue pagar o preço habitual.

- Como escolher a psicoterapia mais indicada para a minha situação?

Após a avaliação psicológica, o Psicólogo apresenta-lhe uma ou mais psicoterapias indicadas para o seu caso. Esclarece-o acerca das modalidades e procedimentos terapêuticos e ajuda-o a decidir, de acordo com aquilo que será mais benéfico para si. A relação terapêutica é muito importante para o bom desenvolvimento da terapia, portanto deve sentir que o psicólogo lhe transmite segurança, clareza e confiança.

Fonte: http://psicologaclinica.blogs.sapo.pt/11090.html