quinta-feira, 27 de junho de 2013

Para crianças de 5 anos, mentes não podem ser clonadas

Em experimento britânico, os pequenos afirmaram que dois animais clonados não teriam a mesma mente

AlexSmith/Shutterstock


Há uma tendência aparentemente inata em acreditar que somos seres únicos e especiais, sugere um estudo publicado na Cognition. Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, apresentaram um hamster a crianças de 5 anos e deixaram-nas interagir com ele. Em seguida, disseram que iriam cloná-lo em uma caixa mágica e mostraram a elas um animal idêntico. A maioria disse crer que o animal foi replicado, mas, quando lhes perguntam se achavam provável que sua mente e suas memórias também haviam sido clonadas, afirmaram que não. A recusa em acreditar na replicação da mente foi ainda maior quando os pesquisadores deram um nome ao hamster ao apresentá-lo: Dax. Nesse caso, 70% das crianças disseram que o roedor “clonado” não podia ter a mesma mente de Dax. Segundo o autor do estudo, o neurocientista Bruce Hood, o nome próprio “humanizou” o bicho e as predispôs a acreditar em sua singularidade.

Fonte: Scientific American - Mente Cerebro

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O complexo de vítima



Autopiedade, incapacidade fantasiosa, cárcere auto imposto, castigo, culpa, lamentação, resignação e reclamação. E tudo isso como se tivesse arrastando correntes com pesos de chumbo por onde passa. Esse é o retrato daquele que carrega em si o complexo de vítima.

Um perfil preocupante, justamente por fazer o indivíduo crer que não é capaz de ter a própria vida nas mãos. Buscam então através das reclamações que alguém se compadeça e os ajudem a mudar a própria vida. Alguns até se compadecem e tentam, mas existem coisas que ninguém realmente pode fazer por nós. Outros tantos sentem pena, repulsa, desprezo e aversão. O que só aumenta a sensação de ser um “coitadinho” realmente.

O coitadinho busca amor, atenção e um salvador, mostrando ao mundo o quanto sofre! Por trás de sua “coitadez”, com frequência se encontra alguém que se acredita muito especial por aguentar isso tudo e que muitas vezes não sai de relacionamentos tóxicos por achar que o outro não sobreviveria sem ele.

Nesse poço de “coitadez” também encontramos muitas fantasias negativas a respeito da realidade e especialmente de si mesmo, aonde não importa a situação, a vida vai ser vista mais ou menos dentro do prisma de vitimismo. Julgando-se inferior e incapaz.

Outro problema é que sabemos que os humanos fazem muitos acordos inconscientes, e toda vítima precisa de um algoz se quiser ser vítima. Não raro, esse vai ser o perfil que os sofredores por vocação procurarão (sem saber) para se relacionar. E vejam que triste é relacionar-se com alguém por uma necessidade de desempenhar um papel, e não por amor.

E qual seria o ganho em se viver desta forma? Honestamente não vejo muitos, mas existe um que se destaca além do ganho de atenção: por piedade, os outros tendem a pegar leve com o coitadinho. Passam a mão na cabecinha dele e dizem que vai ficar tudo bem.

Olhem que dinâmica complicada: se você passa a mão na cabeça do coitado, você acaba reforçando a crença de que ele realmente está em maus lençóis. Se você ignora ou retruca, ele vai se sentir desprezado e um belo coitado!

Numa psicoterapia temos que trabalhar para devolver à vítima a responsabilidade pela própria vida. Fazê-la compreender e experimentar outras formas de funcionamento que podem ser muito mais gratificantes. Ela precisa sim de um salvador, mas esse salvador não será encontrado fora, apenas dentro de si. Em termos psicológicos, é preciso resgatar toda a projeção que ela faz no mundo externo e devolvê-la ao seu domínio de direito. Só fica a mercê do mundo externo quem ainda não se deu conta das forças que possui no mundo interno. No fim das contas o algoz número 1 da vítima é ela mesma.

[Via Escuta Analitica]
Por Ana Regina Figueiró Pires

sexta-feira, 14 de junho de 2013

 


As técnicas de meditação são atualmente usadas no âmbito hospitalar, e sua eficácia clínica foi estabelecida em alguns campos aplicativos, em particular no caso da depressão e da dor crônica. O psicólogo cognitivo Zindel Segal e seus colegas do Centro de Dependência e Saúde Mental de Toronto, no Canadá, acompanharam 84 pacientes que sofriam de depressão e haviam tomado antidepressivos até a remissão dos sintomas. No final desta primeira fase, um terço dos pacientes continuou o tratamento antidepressivo, um terço recebeu placebo e o restante participou de sessões de terapia baseada na meditação de plena consciência. 

Um ano e meio depois, 30% dos pacientes que se dedicaram à meditação de plena consciência voltaram a sofrer de depressão – um número equivalente ao das pessoas do grupo tratado com antidepressivos, enquanto a proporção atingia 70% dentre os que haviam tomado o placebo. Os pesquisadores concluíram que a prática da plena consciência pode ser tão eficaz quanto os antidepressivos para evitar uma recaída. Os efeitos positivos da meditação para a saúde se baseiam em uma modificação da atividade cerebral. 

O caso da dor crônica foi estudado em particular pelo neurocientista Fadel Zeidan e por seus colegas da Universidade da Carolina do Norte. A equipe do pesquisador avaliou a atividade cerebral dos praticantes que receberam estímulos dolorosos. Nestas pessoas a intensidade percebida da dor havia diminuído em 40% e a sensação de desconforto (que se refere à maneira como a pessoa vive a experiência) em 57%, em relação aos participantes do grupo de controle. Essa diminuição da intensidade dolorosa está associada ao aumento da atividade do córtex anterior do cíngulo e à baixa atividade da ínsula anterior, regiões que participam da regulação cognitiva da dor, influindo na percepção. Além disso, uma ativação do córtex orbitofrontal permite considerar a dor “menos desagradável”.

Fonte: NEUROCURSO UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais
Centro de Extensão - CENEX
Instituto de Ciências Biológicas - ICB
Campus Pampulha - Belo Horizonte/MG 



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gêmeas siamesas usam o mesmo cérebro e podem ouvir o pensamento uma da outra

 
 
As gêmeas siamesas Krista e Tatiana surpreenderam os peritos médicos do mundo, por conseguirem ver através dos olhos umas das outras.

As gêmeas de quatro anos, tem dois corpos separados, mas compartilham o mesmo cérebro.

As meninas têm seus tálamos unidos, a parte do cérebro que envia as sensações físicas e motoras do córtex cerebral, permitindo-lhes ouvir os pensamentos da outra e ver através de olhos umas das outras.

Nascidas em Vernon, British Columbia, no Canadá, tem vindo a receber cuidados médicos constantes desde que nasceram.

O neurocirurgião pediátrico Doug Cochrane, que cuidava delas, desde o nascimento, confirmou que elas pode ver através dos olhos umas das outras.

Incrivelmentes raros, apenas oito casos já foram documentados e apenas três dos que sobreviveram ao parto.

A família concorda que Krista é a mandona do par, enquanto Tatiana é mais descontraída e segue Krista onde ela quer ir.

 
Fonte em Inglês:      Mail Online
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013



Inteligência é genética? 

Por que algumas pessoas são mais inteligentes que outras?


Por:  Marcus de Mario 



Na tentativa de entender a inteligência, cientistas têm se dedicado a inúmeras pesquisas, notadamente no estudo do cérebro, pois partem do pressuposto que a inteligência é uma função neuronal, portanto, em ação na massa encefálica. Um fato, notadamente, intriga os cientistas: Por que algumas pessoas são mais inteligentes que outras? É intrigante porque a ciência considera que a inteligência nasce com o indivíduo, ou seja, ela é determinada, sendo que, com o tempo, a experiência e o conhecimento, existe um aprimoramento do uso da inteligência, ou seja, ela ganha maior capacidade de resolver problemas. Então a formulação da pergunta em moldes científicos: Se nascemos com nossa inteligência determinada, será que ela é, necessariamente, herdada, ou seja, será que ela é genética?

Cientistas americanos e ingleses (foram mais de 200 pesquisadores) concluíram em estudo levado a efeito com mais de 21 mil pessoas, que existe um gene que, se sofrer uma modificação no seu DNA, com a troca de uma molécula, o cérebro da pessoa será maior, havendo um ganho no QI (coeficiente de inteligência). Entretanto, o tamanho do cérebro é maior em apenas 3cm cúbicos, e a inteligência avança somente em 1,3%. Bem pouca coisa para uma conclusão que a inteligência está ligada à genética.
Como as pesquisas relacionadas ao cérebro não conseguem sanar as dúvidas dos cientistas, convidamos o leitor para analisar o tema a partir da consideração de ser a inteligência extrafísica, e o cérebro um instrumento do espírito, ou seja, partimos do conceito de sermos uma alma imortal, onde se localiza a inteligência, sendo o cérebro instrumento de manifestação dessa alma. É o que propõe o Espiritismo.

A visão espírita não descarta o determinismo intelectual, visto que a alma, ou espírito, traz para a encarnação tudo o que desenvolveu até então, ou seja, toda a inteligência adquirida, mas rejeita a hereditariedade genética, pois a inteligência não pertence ao corpo e não pode ser passada de indivíduo para indivíduo, ou em outras palavras, de pai para filho. Também o Espiritismo explica que tudo o que o espírito conquista é patrimônio inalienável, mas a cada encarnação ele privilegia o desenvolvimento desta ou daquela área, por exemplo, se foi muito dedicado às ciências exatas, pode agora vir para desenvolver aptidões nas ciências humanas.

A diferença intelectual entre as pessoas é facilmente explicada quando inserimos a lei de evolução que se processa através da reencarnação. Somos individualidades imortais destinadas à perfeição, mas o caminhar nessa direção e alcançar em maior ou menor tempo essa destinação, é de cada um, ou seja, cada espírito está num determinado grau de evolução, tanto intelectual quanto moral, daí as diferenças intelectuais e de aptidões. Isso também é acentuado pelo organismo biológico de que se serve o espírito, pois o corpo pode ser um entrave para sua manifestação intelectual plena. Nesse caso, o espírito pode ser muito inteligente, mas deficiências orgânicas podem limitá-lo na exteriorização dessa inteligência.

Lembremos que as deficiências orgânicas não acontecem por acaso, pois tudo tem sua razão de ser. Muitas vezes o espírito solicita passar por esta ou aquela prova, necessária ao seu progresso, planejando no processo reencarnatório enfrentar esta ou aquela condição menos favorável quanto ao organismo biológico. E ainda temos as expiações, sempre redentoras, quando o espírito, por ter infringido várias vezes a Lei Divina, acarreta para si consequências desequilibrantes para sua mente e seu perispírito (corpo espiritual), o que, invariavelmente, trará disfunções para seu corpo.

Seja como for, com o Espiritismo entendemos que a inteligência é patrimônio do espírito, sendo o corpo apenas seu instrumento de manifestação. Isso fica patente no fenômeno mediúnico, quando o espírito de um encarnado, parcialmente separado do corpo através da emancipação da alma, ou desdobramento, se apresenta através de um médium. Se em vida apresenta problemas para manifestar sua inteligência, emancipado do corpo o espírito nenhum entrave encontra para pensar, dialogar e resolver questões que, em estado de vigília não consegue. É que a inteligência pertence a ele, está na sua essência, independe da matéria corporal e mantém-se intacta. É o seu instrumento de manifestação que está com defeito, por isso que estudar o cérebro é estudar os efeitos e não a causa.

Se a inteligência fosse herdada geneticamente, de nada valeriam os esforços da educação para desenvolvê-la; no máximo a educação serviria para adestrá-la, pois seríamos totalmente dependentes de genes e suas modificações. Entretanto, é bom lembrar que somos seres pensantes dotados de razão e livre-arbítrio, e seria reduzir a bem pouco, o ser humano, considerá-lo um dependente químico de secreções neuronais intelectivas, como insistem os cientistas. Aliás, uma boa pergunta a ser respondida pela ciência é esta: Como neurônios, que são células orgânicas, conseguem pensar? Convidamos a comunidade científica a responder esta pergunta, não com hipóteses e teorias fantasiosas, e sem sair do terreno biológico. Se conseguirem, dando resposta satisfatória a todas as questões que envolvem a inteligência e sua manifestação, poderemos rever nossa posição espiritualista e “matar” a alma, mas estamos muito tranquilos, pois todos os fatos corroboram a tese espírita e, como dizem, contra os fatos não existem argumentos contrários possíveis.

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O autor é educador, escritor e consultor educacional e empresarial. Colabora no Centro Espírita Humildade e Amor, no Rio de Janeiro-RJ. É programador e apresentador na rádio Rio de Janeiro e autor, entre outros, do livro "Visão Espírita da Educação" (Editora O Clarim).


segunda-feira, 3 de junho de 2013

Personalidade: a máscara que usamos

Definir personalidade não é uma tarefa fácil e achamos que ainda não exista uma definição completa.

Por: José Luiz Condotta

Personalidade A palavra personalidade é derivada de persona – do latim – que significa máscara. Usada originalmente pelo teatro grego, onde cada ator utilizava uma máscara (persona) que identificava as características psicológicas do personagem.
 
Definir personalidade não é uma tarefa fácil e achamos que ainda não exista uma definição completa. De uma maneira simples podemos falar que personalidade seria a forma característica na qual uma pessoa pensa e se comporta à medida que se ajusta ao ambiente. Carver e Scheier a definem assim: “personalidade é uma organização interna e dinâmica dos sistemas psicofísicos que criam os padrões de comportar-se, de pensar e de sentir de uma pessoa”. Em ambas as definições estão inseridas as estruturas da mente responsáveis pelos processos chamados dinâmicos: pensamento, sentimento, percepção e ação. Lembrando que a personalidade é sempre expressa num determinado ambiente.
 
Pela ótica espírita, não temos nenhuma dificuldade de entender que nessas definições, primeiramente, está expressa a condição do homem ser formado pelo corpo e alma. Basta lembrarmos da Doutrina quando nos ensina que o pensamento, o sentimento e a percepção são atributos dos corpos espirituais e as ações do corpo físico. Os sistemas psicofísicos (citados acima) criadores de padrões comportamentais e emocionais também revelam, pela própria constituição da palavra, ser psíquicos e físicos. Pelo Espiritismo, o psiquismo humano é controlado pelo psiquismo do espírito (mente). Desta forma, o corpo físico espelha a alma e, através dele, quando em ação, refletem as emoções e os sentimentos.
 
Teorias da Personalidade
Freud limitou sua teoria psicológica no homem apenas após o seu nascimento, isto é na vida atual. As vivências, experiências, afetos e percepções escrevem suas histórias no decorrer da vida, encerrando com a morte do organismo. Não fez referência à alma, espírito e Deus – dizia que tudo isto é campo da filosofia e religião. Sua teoria vê só o corpo como um complexo de processos fisiológicos e bioquímicos. Acreditava que as pessoas seriam governadas pelos seus instintos animais e que a maior parte das nossas ações tem origem no inconsciente. O ego consciente, que permite a nossa vida de relação com o mundo, estaria constantemente em luta com os nossos instintos (principalmente os sexuais e de sobrevivência) e as exigências deste mundo.
 
Jung discordou em vários pontos de Freud e achava que existia uma dimensão mais profunda na natureza humana. Os conteúdos inconscientes não poderiam ser explicados somente pelas histórias individuais (inconsciente individual), mas por conteúdos comuns a todas as criaturas e que se acham vinculadas entre si (inconsciente coletivo, em que atuam os chamados arquétipos). Disse também que o consciente é derivado de um inconsciente mais antigo que ele e ambos funcionam em conjunto. Em outras palavras, o inconsciente (individual quanto o coletivo, o mais profundo) seria a fonte da consciência atual.
 
Adler discordou também de Freud e Jung em vários pontos e na sua teoria refere a existência de uma força que emana do inconsciente que governa a vida – é o impulso que todo ser humano deseja ser bem sucedido na vida (autorrealização). Esta força seria mais forte que os instintos sexuais de Freud e os religiosos de Jung.
 
O humanista Carl Rogers acreditava que o objetivo principal do homem é ser funcionante (prático e independente) e se autorrealizar.
Estudando as diversas teorias, podemos dizer que todas têm suas razões e a Doutrina Espírita não contesta nada dos seus conteúdos; apenas analisa. Freud, por exemplo, fala que praticamente o que nos comanda é o inconsciente a partir do nascimento. Jung fala em desejos espirituais. Adler em autorrealização completa (podemos entender como um ideal de perfeição) e Rogers em independência e também em autorrealização. Mas, a psicologia espírita gostaria que a psicologia (ciência) explicasse melhor o que é o inconsciente (pessoal e coletivo), como é formado e do que é constituído, num sentido mais amplo. Para evitar infindáveis discussões, tudo ficaria mais fácil e legível se a ciência psicológica levasse em consideração a alma (o espírito encarnado) com todas as suas propriedades e a reencarnação, o que ampliaria a sua visão na compreensão da psique.
 
O inconsciente na visão espírita
O inconsciente, pela ótica espírita, seria o patrimônio trazido pelo espírito das suas experiências e vivências de todas as suas vidas passadas. Desta forma, estaríamos sendo conduzidos e agindo pela bagagem espiritual – o inconsciente de Freud, Jung e outros... Dele flui claramente as nossas imperfeições que, pela misericórdia divina, temos tudo para entendê-las e repará-las, podemos assim viver melhor e nos autorrealizarmos (o que Adler propôs). Em se realizando, ficaremos mais funcionantes e com o espírito mais liberto para enfrentarmos as vicissitudes da vida terrena (ideias de Rogers). É sempre bom lembrar que o rumo do homem é a perfeição, queira ou não.
 
Personalidade na visão espírita
Na Doutrina Espírita, existe também a dificuldade para uma definição de personalidade. Herculano Pires refere que o mistério do ser, que aturde os estudiosos, chama-se personalidade. Cada ser é uma pessoa desde a concepção. Vindo ao mundo já nasce formada a sua complicada estrutura que vai apenas desenvolver-se no crescimento e na relação social2. Léon Denis reporta que a nossa personalidade é muito mais ampla do que até hoje se acreditou. Nela repousa um mundo de conhecimentos, lembranças, de impressões acumuladas por nossas vidas antecedentes e que o véu do físico ocultou ao renascermos3. Kardec também esclarece que a natureza íntima do Espírito, do ser pensante, é ainda desconhecida4.
 
Embora a natureza íntima dos espíritos seja inacessível, ela pode ser em parte, conhecida pelo que exterioriza, quando explicita as suas manifestações cognitivas, afetivas, volitivas e instintivas. Todas as potencialidades intelectuais e morais agrupam-se na consciência, no EU, na personalidade ou ainda, se quiser, na alma.
 
Entendemos também que a personalidade é trazida pelo espírito reencarnante (congênita, inata, nasce com a pessoa) e receberá a influência do mundo em que está chegando, para fazê-la evoluir e, para isto, terá que se reparar, quitar-se ou desincumbir-se de equívocos praticados no pretérito, ou cumprir uma missão. Portanto ela é dinâmica, isto é, pode se modificar com as aquisições, vivências e experiências atuais. Essa capacidade é facilitada pelos atributos da alma: pensamento, afetos (sentimentos e emoções), livre-arbítrio, memória e vontade. No mundo nada fica estacionado, muito menos a personalidade. Resumindo: a personalidade atual é construída a partir da personalidade congênita trazida pelo espírito reencarnante.
 
Ensina também a Doutrina que o espírito gera, ordena e comanda as ações do corpo físico. Este espelha a alma, a individualidade. Fica fácil entendermos que o homem é portador de uma só personalidade (máscara), com a qual terá que enfrentar o mundo que habita e trabalhar muito para lapidá-la, para que fique sempre mais agradável de ver. Lapidá-la significa restaurar as suas imperfeições e acentuar os traços das suas virtudes. Para isto a vontade de melhora, o sentido de vida, elevados valores morais e éticos e a consciência das Leis de Deus são imprescindíveis. Sabemos que restauração é um trabalho de paciência, de perseverança, de humildade, de esperança, de fé e de amor.
 
Cuidado com uso da máscara
Queremos rapidamente comentar sobre um fato muito comum no nosso cotidiano, na nossa prática profissional: o mau uso da máscara pelas pessoas. Não entraremos na questão das personalidades que têm uma estruturação anômala desde a infância, com distorções do caráter ético-moral exteriorizadas, os chamados transtornos de personalidade. Apenas os casos em que as pessoas não cuidam bem das suas máscaras, ou por conveniência, ou por certas deficiências no organismo perispiritual caracterizando a imaturidade psicológica, quando surge um receio ou uma preocupação em exteriorizar o seu próprio ego.
 
No mundo moderno os recursos e os estímulos são contínuos e em grande quantidade, que o homem encontra sérias dificuldades para elaborá-los de forma satisfatória, podendo ocorrer distorções energéticas nos seus corpos espirituais e físicos. Diante de tantas exigências externas, pode faltar-lhe a estrutura psicológica para suportar a realidade e acaba esquecendo a sua própria máscara (personalidade) e começa a agir como se tivesse uma outra (ou mais de uma) sobreposta à verdadeira, distorcendo-a, passando a viver com a camuflagem, na ilusão. Isto provoca uma série de condições anômalas, desde o modo de pensar e sentir, até o completo modo de viver. Em grande parte essa atitude é consciente, quase sempre visando às recompensas e aos prazeres materiais de imediato, demonstrando as fraquezas das virtudes. As ilusões levam o indivíduo a se apresentar como gostaria de ser e não como é – compõe uma personagem que o mundo espera dele – como se fosse um acordo entre ele e a sociedade.
 
Notamos, e cada vez mais frequentemente, indivíduos dando pouca importância a sua própria máscara, rejeitando vários de seus aspectos, conforme a conveniência do momento. Ficam sob o domínio da persona fictícia, deixando-os alheios às suas reais naturezas. São exemplos: os mentirosos, os que roubam e acham que são honestos (corruptos), os criminosos que se acham inocentes, nós mesmos quando nos achamos perfeitos, quando queremos mostrar o que não temos, os que se acham lindos sem o serem, as que se acham gordas (magras) sem serem, o endeusamento ou uma visão errônea de uma pessoa sem conhecê-la a contento, querer ser um outro imitando as suas características etc. etc...
 
De forma consciente ou inconsciente este contexto negativo (fugir da realidade e da verdade) chegará um dia à exaustão e ocorrerá a consciência do uso da máscara estereotipada e dos falsos comportamentos. Isto propicia uma resposta da alma, com a formação de uma energia retificadora, que se não for bem entendida e canalizada pelo portador, poderá ocasionar distúrbios tanto espirituais quanto físicos – as doenças emocionais e psicossomáticas,como exemplos.

Para cuidar da nossa personalidade é imprescindível o autoconhecimento. Só ele promove as possibilidades de preservação dos ideais superiores de vida, proporciona-nos uma visão clara da nossa autêntica máscara (com as suas imperfeições e virtudes), possibilitando-nos repará-la, a qualquer momento, sob as leis divinas. É um caminho aberto para a maturidade e o bem viver e, com certeza, uma maneira de ficarmos mais junto de Deus, com aquilo que somos e que temos.


1. MCCONNEL, James V. Psicologia.
2. PIRES, J. Herculano. Pedagogia Espírita.
3. DENIS, Léon. O além e a sobrevivência do ser.
4. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns.

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O autor é médico psiquiatra e participa de atividades espíritas em Sorocaba-SP