terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Homens e mulheres têm conexões diferentes no cérebro, diz estudo

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RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO
Todos sabem recitar a regra popular sobre a mente de homens e mulheres: enquanto o cérebro masculino é bom para ação motora e visão espacial, o feminino supera em linguagem e sociabilidade. Essa estereotipagem ainda é debatida, mas neurocientistas oferecem agora evidências físicas a favor da teoria.
Um estudo feito na Universidade da Pensilvânia indica que homens têm ênfase maior que mulheres nas conexões entre os neurônios dentro de cada hemisfério cerebral. E mulheres, por sua vez, têm em média mais conectividade entre um hemisfério e outro (veja quadro abaixo). 


Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
Segundo artigo dos cientistas na revista "PNAS" , essa diferença coincide com o tipo de funcionalidade cerebral associada às habilidades mais femininas e mais masculinas. O mapeamento de conectividade cerebral feito pelo grupo usou a ressonância magnética por difusão, uma técnica capaz de enxergar mechas finas de axônios, os "cabos" que conectam os núcleos dos neurônios.
Outros estudos já mostravam algumas diferenças que existem entre cérebros de homens e mulheres "mas não explicavam essa complementaridade" de habilidades, afirma o texto do artigo. O trabalho foi liderado pela neurocientista Ragini Verma e assinado por mais nove colegas.
Para chegar à conclusão, os cientistas submeteram 949 pessoas de 8 a 22 anos de idade ao mapeamento por ressonância magnética. A conclusão do estudo, apesar de fraseada de modo diferente, remete ao tipo de divisão de habilidades psicológica incorporado à cultura popular.
"Cérebros masculinos são estruturados para facilitar a conectividade entre ação coordenada e percepção", diz Verma, "enquanto cérebros femininos são projetados para facilitar a comunicação entre os modos de processamento intuitivo e analítico". 

NATUREZA E CRIAÇÃO
As diferenças mais acentuadas no novo estudo de mapeamento cerebral, porém, só foram vistas em adultos, afirmam os autores do trabalho. Meninas e meninos não exibiam, em média, a disparidade anatômica que foi vista em homens e mulheres. Isso abre espaço para que a origem das diferenças seja cultural e não de nascimento.
Outras diferenças anatômicas vistas pelo estudo de Verma já eram conhecidas. Uma delas é o fato de mulheres possuírem mais massa cinzenta (parte do cérebro que concentra núcleos de neurônios) do que homens, em relação ao tamanho de seu cérebro. Eles, por sua vez, têm mais massa branca (composta de axônios, os "cabos" que conectam neurônios).
Essa distinção, contudo, não parece ter relação com comportamento. E os estudos cognitivos nos quais Verma encaixa suas descobertas anatômicas, além disso, não parecem ser ainda consenso firme entre pesquisadores.
"A evidência que eu conheço é que, quando existem diferenças quantitativas, elas são mínimas e têm uma influência cultural gigantesca", afirma a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da UFRJ. "A cultura indica a expectativa, porque o estereótipo é essencialmente incutir expectativas diferentes em meninos e meninas."
Verma, porém, defende a correlação apontada pelo estudo, que usou um mapeamento de última geração em uma amostra de voluntários com tamanho inédito. 

Fonte: Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/12/1379901-homens-e-mulheres-tem-conexoes-diferentes-no-cerebro-diz-estudo.shtml

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ABRAÇAR É ENCOSTAR UM CORAÇÃO NO OUTRO

Coisa bem bolada essa dos braços se encaixarem. Uma possibilidade tão perfeita que parece que já foram imaginados também com esse propósito. Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

No abraço bem fruído as duas vidas se ocupam de contemplar somente a paisagem que compartilham. Os olhos se tornam surdos para qualquer registro que esteja fora do ambiente construído. Talvez seja por isso que costumamos fechar os olhos quando abraçamos: para abri-los para dentro. Quando inclui o sentimento, o abraço é um portal que dá acesso às regiões mais arborizadas do coração da gente. Lá onde cantam passarinhos. Lá onde voam borboletas. Lá onde se respira grande sem ter a alma contraída. Lá onde experimentamos o amor ensolarado, por mais nuvens encharcadas de medo que também existam em nós.

Nada parece desejar retê-lo. Nada parece querer que aquele encontro dure mais do que o tempo que puder durar... O abraço não precisa ser demorado para ser longo. Se plenamente sentido, o seu efeito é duradouro. A energia que produz é capaz de circular por tempo indefinido nas vidas que o experimentam. E, depois, pode ser acionada a qualquer momento no lugar da memória onde são guardadas as belezas que não perdem o frescor. Armam redes na alma da gente, onde as emoções se deitam e balançam aconchegadas. Não há lugar algum para onde ir enquanto acontecem. Apenas ficar ali, dentro deles, e dividir esse conforto.

O abraço é também isso: um presente que duas vidas oferecem uma a outra e desembrulham juntas.

(Ana Jácomo)
 
ABRAÇAR É ENCOSTAR UM CORAÇÃO NO OUTRO

Coisa bem bolada essa dos braços se encaixarem. Uma possibilidade tão perfeita que parece que já foram imaginados também com esse propósito. Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

No abraço bem fruído as duas vidas se ocupam de contemplar somente a paisagem que compartilham. Os olhos se tornam surdos para qualquer registro que esteja fora do ambiente construído. Talvez seja por isso que costumamos fechar os olhos quando abraçamos: para abri-los para dentro. Quando inclui o sentimento, o abraço é um portal que dá acesso às regiões mais arborizadas do coração da gente. Lá onde cantam passarinhos. Lá onde voam borboletas. Lá onde se respira grande sem ter a alma contraída. Lá onde experimentamos o amor ensolarado, por mais nuvens encharcadas de medo que também existam em nós.

Nada parece desejar retê-lo. Nada parece querer que aquele encontro dure mais do que o tempo que puder durar... O abraço não precisa ser demorado para ser longo. Se plenamente sentido, o seu efeito é duradouro. A energia que produz é capaz de circular por tempo indefinido nas vidas que o experimentam. E, depois, pode ser acionada a qualquer momento no lugar da memória onde são guardadas as belezas que não perdem o frescor. Armam redes na alma da gente, onde as emoções se deitam e balançam aconchegadas. Não há lugar algum para onde ir enquanto acontecem. Apenas ficar ali, dentro deles, e dividir esse conforto.

O abraço é também isso: um presente que duas vidas oferecem uma a outra e desembrulham juntas.

(Ana Jácomo)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Elogio ao amor




"Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavanderia.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser 
desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? 

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e 
descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. 

O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A 
"vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um 
fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem 
tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não 
dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa 
alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, 
não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que 
a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e 
minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade 
pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num 
momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por 
muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda 
o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não 
esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor 
que se lhe tem. 

Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se 
ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver 
sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. 
Não se pode resistir.

A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. 

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Os fatores que mais impedem que você aprenda (de verdade)

Procura por treinamentos cresce, mas profissionais qualificados continuam em falta. Problema é que estamos aprendendo errado, defende especialista


Getty Images
Jovens estudando
Estudo: o cérebro também opta por focar naquilo que é razoável e que já conhecemos, poupando energia, diz especialista

São Paulo – No currículo, as certificações e diplomas saltam aos olhos do recrutador. Cursos e mais cursos chamam a atenção para a qualificação. Mas o quanto de todo este conteúdo o profissional realmente aprendeu e sabe aplicar na prática? Grandes chances de ter sido bem pouco, de acordo com Rogério Boeira, especialista em desenvolvimento de pessoas e fundador da escola Cultman - Management & Education.

Para ele, o aumento na procura por formação e treinamento, assim como a escalada na escolaridade do brasileiro, gera uma percepção errada de que os profissionais estão cada vez mais bem preparados. É que indivíduos realmente capacitados continuam em falta no mercado.
Mas como isto é possível? Estamos aprendendo errado, explica o especialista. E o problema é mais grave do que parece já que aprender da forma tradicional não é mais suficiente. Entenda por quê:

1 A importância é dada à certificação e não ao conteúdo
“As pessoas buscam diplomas sem ter a responsabilidade sobre o conhecimento que aquela certificação implica”, diz Boeira. É o famoso estudar para passar e garantir o pedaço de papel que comprova a qualificação. “Pensamos que sabemos mais do que sabemos, de fato”, diz. 
Assim, como num passe de mágica a pessoa que carrega aquele diploma está apta a exercer plenamente determinadas funções. “O quanto de conteúdo a pessoa guarda dos cinco anos de faculdade, por exemplo”, pergunta o especialista. 
Aprovação não é sinônimo de conhecimento, como muita gente pensa. “O ato de aprender requer uma grande dedicação, seja de atenção, seja de tempo e possui um custo emocional muito mais do que temos consciência”, diz Boeira.

2 Lei do mínimo esforço
A mente tem a prerrogativa da autopreservação, o que significa que trabalha sob a lei do mínimo esforço, segundo Boeira. “Gasta menos energia do que deveria, é algo natural”, explica.
Daí pode-se entender a dedicação que é necessária para manter a concentração durante períodos mais longos de tempo. O cérebro também opta por focar naquilo que é razoável e que já conhecemos, poupando energia. 
Por isso, muita gente prefere concentrar esforços no que lhe mais palpável e deixa de lado o domínio de outras ferramentas com a quais têm mais dificuldade. Além disso, assim que conseguimos atravessar os conteúdos mais complexos para a nossa mente, eles são rapidamente esquecidos. “São tirados do caminho”, diz.
3 Não há estímulo ao questionamento
Embora esta realidade venha mudando, ainda há pouco estímulo ao questionamento. Merecem nota máxima aqueles alunos que decoram o conteúdo e o reproduzem nas provas discursivas.
Se quando criança o ato de perguntar pode muitas vezes ser motivo de chacota entre os colegas, no mundo adulto questionar é relacionado a chamar a atenção para si. Quem muito pergunta, quer mesmo é aparecer, dizem muitos profissionais pelos corredores e cafés das empresas.
“Quando adulto a principal questão é exatamente a falta de questionamento, não há permissão para a dúvida”, diz. O desenvolvimento do novo, o rompimento com o que já está estabelecido não é fácil. Admitir novas formas de raciocínio e novas dimensões para as questões se faz necessário. Ao estimular e estruturar a dúvida, segundo o especialista, os profissionais conseguirão aumentar a eficiência das respostas e oferecer melhores resultados, além de antecipar problemas.

4 Pouca reflexão 
“A gente nunca aprendeu a aprender”, lembra Boeira. E talvez este seja um dos motivos por que a reflexão é escassa durante o processo de aprendizagem. 
Valorizar os diferentes níveis de experiência e a livre associação de ideias é essencial na hora de internalizar assuntos discutidos, segundo o especialista. 
Uma dica importante é todos os dias procurar ter um tempo para refletir sobre o que aconteceu no trabalho. De preferência, anotar os pontos em que se sentiu mais desconfortável ou vulnerável”, diz.


domingo, 1 de setembro de 2013

Estudos indicam como o excesso de conexões pode afetar o cérebro de depressivos

30 de agosto de 2012


 


Imagens mostram como o córtex frontal (região em vermelho) de pessoas com depressão (à esquerda) é mais fortemente conectado ao resto do cérebro quando comparado com pessoas saudáveis (à direita). Imagem: Reprodução
É fato conhecido que pessoas com depressão costumam ter problemas de concentração, ansiedade e memória. Agora, como indicou uma matéria publicada na Scientific American, estudos têm ligado esses problemas ao excesso de sinais trocados entre as áreas relacionadas à concentração, humor e pensamento consciente. Em outras palavras, o cérebro de quem tem depressão é mais “conectado” do que o de pessoas saudáveis.
Em um desses estudos, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles usaram imagens de ressonância magnética funcional e eletroencefalografia para medir a atividade cerebral de pacientes deprimidos em repouso. Eles descobriram que, nessas pessoas, rolava uma enxurrada de mensagens neurais entre as áreas corticais límbicas (responsáveis por produzir e processar as emoções). Pessoas saudáveis também apresentam essa conexão, mas não de forma tão ativa (veja a imagem acima). Para os autores do estudo, esses sinais podem amplificar os pensamentos negativos dos deprimidos e agir como um ruído que os impede de prestar atenção às mensagens neurais positivas – aquelas que lhes dizem para seguir em frente.

Outro trabalho, feito pelo psiquiatra Shuqiao Yao da Central South University, na China, e publicado em abril na Biological Psychiatry, também revelou que pessoas propensas a ficarem repetindo continuamente pensamentos negativos apresentam conexões mais fortes entre certos circuitos córtico-límbicos. Por outro lado, menor conectividade em outros desses circuitos corresponde à perda de memória autobiográfica, que é outra coisa comum na depressão.

Por fim, um estudo publicado também este ano na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, trouxe outro achado importante nesse sentido: a terapia eletroconvulsiva, (antes conhecida como terapia de choque) realmente alivia os sintomas da depressão e diminui as conexões na região cerebral onde os sistemas cortical e límbico se cruzam. Mais uma prova dessa relação.

Ainda não se sabe com certeza se a hiperconectividade entre essas áreas cerebrais é causa ou efeito da depressão. Mas tudo indica que esse pode ser um bom alvo para o desenvolvimento de novas drogas e tratamentos.

domingo, 25 de agosto de 2013

Depressão vs Melancolia: Algumas Notas

Conceitos como tristeza, depressão, melancolia encontram-se intrincados no seio da nossa comunicação, presentes no dia-a-dia, vulgarmente confundidos ou reduzidos ao mesmo.

A tristeza aparece quando se perde algo ou alguém a que se estava fortemente ligado. Contudo, quando esse algo que se perdeu era já era visto como incerto e apenas mantido por uma crença relacionada a um sentimento de onipotência, a tristeza é sentida, mas negada a realidade da perda – ou, mais precisamente, negado o sentimento de perda. E assim se instala a depressão.

A depressão é, assim, a negação do sentimento de perda; está-se triste sem saber porquê.

Quando se perdeu alguém de quem se estava dependente, mas cuja dependência era sentida como uma inferioridade pessoal, da mesma forma a tristeza é sentida, mas negado o sentimento de perda. E, pela mesma razão, se instala um quadro depressivo.

O depressivo é um indivíduo com uma deficiência na autoestima (no narcisismo para ser mais correto). A sua representação e o seu valor próprio é confirmado e avaliado pelos outros, sendo estes o espelho da sua imagem,os que constroem a sua representação e provocam admiração e o dito amor.

Já a depressividade não é idêntica à personalidade depressiva corrente; precisamente, pelos sintomas comuns da última (quebra de energia, falta de esperança no Outro, no mundo). Pelo contrário, os doentes têm energia, mas é uma energia de esforço. São pessoas com uma forte tendência para idealizar os outros (mergulharem na fantasia narcísica). Sobrevivem da idealização dos outros, idolatrando o ente amado, que adoram e veneram (numa posição submissa e algo penosa). Não esperam, nem obtêm, em significativa medida, a retribuição devida e desejável. Agradecem o simples facto de poderem amar. São felizes fazendo os outros felizes; felizes – à sua maneira, abdicando do desejo próprio que quase ignoram. Vivem, pois, num amor não correspondido. O que, necessariamente, é deprimente. Mas não sentem, não vivem a depressão.

No Eu destas pessoas padece um vazio existencial que necessita de um amor para o seu preenchimento estrutural, estruturado e estruturante. Mas o sujeito, o Eu, ignora essa necessidade; e, consequentemente, não procura satisfazê-la. Como resultado da insatisfação existente mas ignorada, gera-se uma raiva imensa apenas sentida como tensão, desconforto ou irritabilidade – ou nem sequer sentida – e quase sempre não reconhecida, não ligada a eventos, pessoas ou propósitos.

São extremamente inseguros e muito dependentes, embora a dependência seja pouco notada, porque encoberta pelos comportamentos de cuidar dos outros.

Em suma, «o melancólico não sabe o que lhe falta, mas sabe que lhe falta algo (um amor envolvente, sabemo-lo hoje em dia). O pré-depressivo não sabe sequer que lhe falta algo – apenas ficou, quando ficou, a sensação corporal vaga de um mal-estar indefinido.» (Matos, A.C.)


por Claudio Vieira Sem com

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O Cérebro Psicopata


Recentes resultados de pesquisas em neurociências começam a lançar algumas luzes no que se refere à psicopatia. A falta de empatia, a falta da culpa, as emoções superficiais, a mentira compulsória e manipuladora, a crueldade e o sangue frio são características de todos os psicopatas.

Em alguns estudos os psicopatas, diferente das pessoas que não têm esse Transtorno de Personalidade, respondiam à estímulos carregados emocionalmente da mesma forma que respondiam a estímulos neutros. Isso demonstra que os psicopatas são destituídos de afetos, em várias áreas. Em outros estudos, se observou que os psicopatas não reagem com alterações fisiológicas a mudanças surpreendentes no ambiente. Pessoas normais reagem fisiologicamente diante de um fato surpreendente podendo piscar, por exemplo. Tais resultados podem sugerir que os psicopatas causam dor sem sentirem-se incômodos ou constrangidos, ao contrário, parecem fazê-lo de boa vontade e até mesmo com certo prazer. Geralmente eles sabem que estão ferindo por causa de um sentimento intelectual abstrato (intenção), já que lhes falta a empatia para compreender o efeito do que causam naqueles a quem agridem.

Um exemplo bem claro desse comportamento sádico, pode ser observado no caso Jason, publicado no ano de 2000 (veja seção Arquivo/Narcisismo). Recentes estudos feitos com imagens do cérebro, através de aparelhos modernos como Ressonância Magnética, sugerem, segundo Hare, uma possível base neurofisiológica para o fracasso da significação emocional nos indivíduos com esse tipo de transtorno. No cérebro dos psicopatas, os mecanismos que normalmente afetam os processos cognitivos podem ser ineficientes ou inoperantes.

A neurociência tem demonstrado que a relação emocional da mãe com o bebê, podem causar danos neurológicos importantes e talvez, a psicopatia, seja um desses danos. Da mesma forma que uma alteração física causa modificações no comportamento, uma modificação de comportamento, pode causar alterações fisiológicas importantes. Esse é outro aspecto sob observação e parece muito promissor.


sexta-feira, 16 de agosto de 2013

De novo, de novo e de novo...

Quando conteúdos recalcados irrompem como sintoma, sobrevém o sofrimento, mas também o alívio

agosto de 2013
 
Maria Maura Fadel
 


Em seu novo livro, o psicanalista e psiquiatra J.-D. Nasio parte de um questionamento comum,  aparentemente comum, que a maioria das pessoas já fez em algum momento. A banalidade, porém, é mesmo só aparente: o tema é profundo, relacionado à constituição do sujeito e da subjetividade, ao determinismo psíquico – e arraigados sofrimentos que levam as pessoas a acreditar que são vítimas de um princípio “demoníaco”, como escreveu Sigmund Freud. Por que repetimos os mesmo erros parte da noção de inconsciente, essa “força soberana que nos confere identidade social e nos impele a escolher a mulher ou o homem com quem compartilhamos a vida, a escolher a profissão que exercemos, a cidade ou a casa onde moramos – escolhas que julgamos deliberadas ou fortuitas ao passo que, na verdade, nos foram sutilmente ditadas pelo inconsciente”. É essa instância que nos impele a repetir tanto o que nos faz bem, de forma sadia, quanto comportamentos que nos prejudicam.

Nasio reflete sobre essa ambivalência psíquica tomando como ponto de partida casos que fazem parte de sua experiência clínica. Destaca três leis que regem o processo repetitivo:
1. lei do mesmo e do diferente (algo jamais se repete de maneira absolutamente idêntica, aparece sempre um pouco diverso); 
2. lei da alternância da presença e da ausência (a repetição não acontece todo o tempo); 
3. lei da intervenção de um observador que enumera a repetição (só existe o fenômeno porque o contabilizamos, nomeamos e apontamos o número de vezes que ele se reproduz).

Embora muitos se deem conta do quanto são presas fáceis de cenários de fracasso que se reeditam levemente modificados, nem toda repetição é, necessariamente, prejudicial. Um dos pontos destacados no livro é seu efeito benéfico, quando associada à autopreservação, ao desenvolvimento e à formação da própria identidade – e sem caráter compulsivo. Segundo Nasio, que durante 30 anos lecionou na Universidade de Paris VII, do ponto de vista psíquico  é possível destacar três pontos de retorno ao próprio passado: por meio da consciência (marcada por recordações na maioria das vezes visuais, mas também táteis, gustativas ou olfativas ao que esteve esquecido, como Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust); em atos sadios (retorno, por meio dos comportamentos, a um passado conturbado e recalcado); e em atos patológicos (retorno compulsivo a um passado traumático e recalcado por meio de comportamentos). As duas primeiras situações são qualificadas como sadias. A última, entretanto, tem caráter patológico.

É justamente a volta ao trauma que incomoda as pessoas que buscam atendimento psicológico ao perceberem, no presente, a eclosão do sintoma ou da ação impulsiva, também chamada de passagem ao ato. Sigmund Freud escreveu: “Os abalos inconscientes não querem ser rememorados, mas aspiram a reproduzir-se; o doente quer agir suas paixões”. Nasio se encarregou dos grifos, ao definir a repetição patológica como uma série de pelo menos três ocorrências, na qual “uma emoção infantil, violenta, forcluída e recalcada aparece, desaparece, reaparece e reaparece novamente alguns anos mais tarde, na idade adulta, sob a forma de uma experiência perturbadora cujos paradigmas são o sintoma e a passagem ao ato”. O autor destaca ainda duas formas básicas de repetição patológica: temporal e tópica. A temporal é facilmente detectada e o paciente sente que “faz parte dela”, é protagonista do sintoma, volta e meia se vê tragado por situações nas quais reconhece o sintoma.  Já a repetição tópica ou espacial não é reconhecida pela pessoa, mas deduzida pelo analista.

Em Além do princípio do prazer, de 1920, Freud escreve que a criança nunca se cansa de repetir uma brincadeira ou ouvir uma história, é o adulto que lhe impõe o limite. Fica claro para qualquer um que tenha vivido diretamente ou presenciado esse tipo de situação que o prazer provocado pela repetição pode estar associado à compulsão pela gratificação. Mas quando conteúdos recalcados irrompem subitamente, transmutados em sintoma, o que sobrevém é o sofrimento. Ao mesmo tempo, porém, esse movimento permite uma descarga de tensão que, em algum nível, proporciona alívio.

Para dar conta dessa aparente contradição, Nasio recorre à teoria lacaniana, segundo a qual o gozo oferece dor e prazer, simultaneamente. O autor chama a atenção para o fato de que somos tanto atores quanto espectadores das repetições. No momento em que retoma uma emoção traumática, a pessoa em análise é, simultaneamente, aquela que revive o trauma e que se observa revivendo essa experiência – e aí está uma porta possível para a ressignificação da repetição, da tentativa de controlar o que foi vivido passivamente. É um aspecto do que Nasio chama de “revivescência”, que se constitui ao longo de várias sessões psicanalíticas, indo muito além da rememoração. O autor escreve: “Convém ao mesmo tempo sentir e ter consciência de sentir, dissociar-se entre aquele que revive o trauma e aquele que se vê revivendo o trauma”. Um processo árduo, delicado e em geral doloroso – mas felizmente possível e libertador.

Leia mais:

"Massacre silencioso", resenha de Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex

Desejos (que tentamos guardar) longe da consciência

terça-feira, 2 de julho de 2013

Conhecendo a Gestalt-Terapia

Para aqueles que não conhecem, nunca ouviram falar dessa linha da psicologia, ou mesmo para os que vivenciam um processo terapêutico fundamentado nessa abordagem e gostariam de conhecer mais, começa hoje uma série de postagens com conceitos básicos e fundamentais que dão o embasamento para todo o trabalho terapêutico. Iniciando então com o próprio termo - "Que raio é esse de Gestalt?" (pronuncia-se, Guestalt)

A palavra Gestalt tem origem alemã e surgiu de uma tradução da Bíblia, significando “o que é colocado diante dos olhos, exposto aos olhares”. Hoje adotada no mundo inteiro, significa um processo de dar forma ou configuração.

A Gestalt-terapia foi criada pelo médico alemão Frederick Perls, também chamado de Fritz Perls, que trouxe para sua nova abordagem conceitos e conhecimentos de outras abordagens filosóficas ou psicoterápicas, como a psicologia existencial, a psicologia fenomenológica, psicologia humanista, psicanálise (Freudiana e de alguns dos discípulos de Freud), os trabalhos de Kurt Lewin, Reich, a psicologia da gestalt, a teoria organísmica de Goldstein. É dessa base de influências que se pode depreender a visão de ser humano da abordagem gestáltica.

Vamos lá então! Filosoficamente falando, a Gestalt-terapia se apóia no Existencialismo e na Fenomenologia.

De acordo com a fenomenologia, a consciência só pode ser concebida a partir do fato de que só pode ser consciência de algo (algum objeto) e o objeto só é objeto para uma consciência, ao contrário do conceito de consciência da psicanálise, que acredita se esta uma estrutura psíquica. Para a GT, só é possível ter consciência de alguma coisa e as inter-relações entre consciência e objeto constituem o fenômeno. A fenomenologia busca a descrição do fenômeno enquanto e como é revelado à consciência da maneira mais fidedigna possível.

O existencialismo, por sua vez, prega que o homem é livre, e é a partir dessa liberdade que ele se torna responsável pela sua existência. Portanto, o homem se constitui a partir do que vive, e atua na relação que estabelece com o mundo de forma a exercer seu arbítrio. É de Sartre, o "pai" do existencialismo, a frase: "o importante não é o que fazem de nós, mas o que nós fazemos do que fizeram de nós". Ou seja, a cada ato devemos conscientizar-nos de nossa escolha, entendendo que as possibilidades de lidar com determinado fato são escolhidas a cada instante por quem os vive.

Há, ainda, as teorias de base da gestalt-terapia que são o humanismo, psicologia da Gestalt, teoria de Campo, teoria Organísmica e teoria Holística.

- Humanismo: define o homem como o ser que é o criador do seu próprio ser, pois o humano, através de sua história, gera a sua própria natureza.

- Psicologia da Gestalt: voltada basicamente aos fenômenos perceptivos e sua organização: nossa percepção se organiza por intermédio da formação de totalidades (Gestalten), que são percebidas de modo natural e espontâneo pelo ser humano. Essas totalidades são constituídas por figura e fundo e “o todo é diferente da soma das partes”.

-Teoria de Campo: o meio onde o indivíduo está inserido é fundamental para a sua compreensão; não é possível saber de que pessoa falamos sem olhar para o todo que compõe sua existência, do qual faz parte também o mundo que a cerca. Conhecer alguns aspectos de uma pessoa não equivale a conhecer toda a pessoa; uma parte nos dá certas notícias do todo, mas não é o todo.

- Teoria Organísmica: um sintoma não pode ser compreendido em sua totalidade se o indivíduo não for também visto em sua totalidade. O que ocorre numa parte, afeta o todo. Segundo esta teoria, o homem é dominado por um impulso dominante de auto-regulação.

- Teoria Holística: Holos do grego = completo. O Universo e especialmente a natureza viva, se constitui de unidades que formam todos (como organismos vivos) que são mais do que a simples soma de suas partículas elementares. Não é possível separar nenhuma dessas partes para observá-la sem que se perca o sentido global do que está acontecendo. Qualquer manifestação psíquica tem seu correlato físico aparente.

Bom, por hoje acho que já tem bastante conceito pra ser digerido...muitas coisas que aparecem nesse post vão aparecer mais à frente mais "esmiuçadas". A intenção agora era realmente dar um apanhado geral do que é essa abordagem terapêutica.
Até a próxima.

Psicóloga Aline Marques da Silva

 

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Para crianças de 5 anos, mentes não podem ser clonadas

Em experimento britânico, os pequenos afirmaram que dois animais clonados não teriam a mesma mente

AlexSmith/Shutterstock


Há uma tendência aparentemente inata em acreditar que somos seres únicos e especiais, sugere um estudo publicado na Cognition. Cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, apresentaram um hamster a crianças de 5 anos e deixaram-nas interagir com ele. Em seguida, disseram que iriam cloná-lo em uma caixa mágica e mostraram a elas um animal idêntico. A maioria disse crer que o animal foi replicado, mas, quando lhes perguntam se achavam provável que sua mente e suas memórias também haviam sido clonadas, afirmaram que não. A recusa em acreditar na replicação da mente foi ainda maior quando os pesquisadores deram um nome ao hamster ao apresentá-lo: Dax. Nesse caso, 70% das crianças disseram que o roedor “clonado” não podia ter a mesma mente de Dax. Segundo o autor do estudo, o neurocientista Bruce Hood, o nome próprio “humanizou” o bicho e as predispôs a acreditar em sua singularidade.

Fonte: Scientific American - Mente Cerebro

quinta-feira, 20 de junho de 2013

O complexo de vítima



Autopiedade, incapacidade fantasiosa, cárcere auto imposto, castigo, culpa, lamentação, resignação e reclamação. E tudo isso como se tivesse arrastando correntes com pesos de chumbo por onde passa. Esse é o retrato daquele que carrega em si o complexo de vítima.

Um perfil preocupante, justamente por fazer o indivíduo crer que não é capaz de ter a própria vida nas mãos. Buscam então através das reclamações que alguém se compadeça e os ajudem a mudar a própria vida. Alguns até se compadecem e tentam, mas existem coisas que ninguém realmente pode fazer por nós. Outros tantos sentem pena, repulsa, desprezo e aversão. O que só aumenta a sensação de ser um “coitadinho” realmente.

O coitadinho busca amor, atenção e um salvador, mostrando ao mundo o quanto sofre! Por trás de sua “coitadez”, com frequência se encontra alguém que se acredita muito especial por aguentar isso tudo e que muitas vezes não sai de relacionamentos tóxicos por achar que o outro não sobreviveria sem ele.

Nesse poço de “coitadez” também encontramos muitas fantasias negativas a respeito da realidade e especialmente de si mesmo, aonde não importa a situação, a vida vai ser vista mais ou menos dentro do prisma de vitimismo. Julgando-se inferior e incapaz.

Outro problema é que sabemos que os humanos fazem muitos acordos inconscientes, e toda vítima precisa de um algoz se quiser ser vítima. Não raro, esse vai ser o perfil que os sofredores por vocação procurarão (sem saber) para se relacionar. E vejam que triste é relacionar-se com alguém por uma necessidade de desempenhar um papel, e não por amor.

E qual seria o ganho em se viver desta forma? Honestamente não vejo muitos, mas existe um que se destaca além do ganho de atenção: por piedade, os outros tendem a pegar leve com o coitadinho. Passam a mão na cabecinha dele e dizem que vai ficar tudo bem.

Olhem que dinâmica complicada: se você passa a mão na cabeça do coitado, você acaba reforçando a crença de que ele realmente está em maus lençóis. Se você ignora ou retruca, ele vai se sentir desprezado e um belo coitado!

Numa psicoterapia temos que trabalhar para devolver à vítima a responsabilidade pela própria vida. Fazê-la compreender e experimentar outras formas de funcionamento que podem ser muito mais gratificantes. Ela precisa sim de um salvador, mas esse salvador não será encontrado fora, apenas dentro de si. Em termos psicológicos, é preciso resgatar toda a projeção que ela faz no mundo externo e devolvê-la ao seu domínio de direito. Só fica a mercê do mundo externo quem ainda não se deu conta das forças que possui no mundo interno. No fim das contas o algoz número 1 da vítima é ela mesma.

[Via Escuta Analitica]
Por Ana Regina Figueiró Pires

sexta-feira, 14 de junho de 2013

 


As técnicas de meditação são atualmente usadas no âmbito hospitalar, e sua eficácia clínica foi estabelecida em alguns campos aplicativos, em particular no caso da depressão e da dor crônica. O psicólogo cognitivo Zindel Segal e seus colegas do Centro de Dependência e Saúde Mental de Toronto, no Canadá, acompanharam 84 pacientes que sofriam de depressão e haviam tomado antidepressivos até a remissão dos sintomas. No final desta primeira fase, um terço dos pacientes continuou o tratamento antidepressivo, um terço recebeu placebo e o restante participou de sessões de terapia baseada na meditação de plena consciência. 

Um ano e meio depois, 30% dos pacientes que se dedicaram à meditação de plena consciência voltaram a sofrer de depressão – um número equivalente ao das pessoas do grupo tratado com antidepressivos, enquanto a proporção atingia 70% dentre os que haviam tomado o placebo. Os pesquisadores concluíram que a prática da plena consciência pode ser tão eficaz quanto os antidepressivos para evitar uma recaída. Os efeitos positivos da meditação para a saúde se baseiam em uma modificação da atividade cerebral. 

O caso da dor crônica foi estudado em particular pelo neurocientista Fadel Zeidan e por seus colegas da Universidade da Carolina do Norte. A equipe do pesquisador avaliou a atividade cerebral dos praticantes que receberam estímulos dolorosos. Nestas pessoas a intensidade percebida da dor havia diminuído em 40% e a sensação de desconforto (que se refere à maneira como a pessoa vive a experiência) em 57%, em relação aos participantes do grupo de controle. Essa diminuição da intensidade dolorosa está associada ao aumento da atividade do córtex anterior do cíngulo e à baixa atividade da ínsula anterior, regiões que participam da regulação cognitiva da dor, influindo na percepção. Além disso, uma ativação do córtex orbitofrontal permite considerar a dor “menos desagradável”.

Fonte: NEUROCURSO UFMG - Universidade Federal de Minas Gerais
Centro de Extensão - CENEX
Instituto de Ciências Biológicas - ICB
Campus Pampulha - Belo Horizonte/MG 



segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gêmeas siamesas usam o mesmo cérebro e podem ouvir o pensamento uma da outra

 
 
As gêmeas siamesas Krista e Tatiana surpreenderam os peritos médicos do mundo, por conseguirem ver através dos olhos umas das outras.

As gêmeas de quatro anos, tem dois corpos separados, mas compartilham o mesmo cérebro.

As meninas têm seus tálamos unidos, a parte do cérebro que envia as sensações físicas e motoras do córtex cerebral, permitindo-lhes ouvir os pensamentos da outra e ver através de olhos umas das outras.

Nascidas em Vernon, British Columbia, no Canadá, tem vindo a receber cuidados médicos constantes desde que nasceram.

O neurocirurgião pediátrico Doug Cochrane, que cuidava delas, desde o nascimento, confirmou que elas pode ver através dos olhos umas das outras.

Incrivelmentes raros, apenas oito casos já foram documentados e apenas três dos que sobreviveram ao parto.

A família concorda que Krista é a mandona do par, enquanto Tatiana é mais descontraída e segue Krista onde ela quer ir.

 
Fonte em Inglês:      Mail Online
 

quarta-feira, 5 de junho de 2013



Inteligência é genética? 

Por que algumas pessoas são mais inteligentes que outras?


Por:  Marcus de Mario 



Na tentativa de entender a inteligência, cientistas têm se dedicado a inúmeras pesquisas, notadamente no estudo do cérebro, pois partem do pressuposto que a inteligência é uma função neuronal, portanto, em ação na massa encefálica. Um fato, notadamente, intriga os cientistas: Por que algumas pessoas são mais inteligentes que outras? É intrigante porque a ciência considera que a inteligência nasce com o indivíduo, ou seja, ela é determinada, sendo que, com o tempo, a experiência e o conhecimento, existe um aprimoramento do uso da inteligência, ou seja, ela ganha maior capacidade de resolver problemas. Então a formulação da pergunta em moldes científicos: Se nascemos com nossa inteligência determinada, será que ela é, necessariamente, herdada, ou seja, será que ela é genética?

Cientistas americanos e ingleses (foram mais de 200 pesquisadores) concluíram em estudo levado a efeito com mais de 21 mil pessoas, que existe um gene que, se sofrer uma modificação no seu DNA, com a troca de uma molécula, o cérebro da pessoa será maior, havendo um ganho no QI (coeficiente de inteligência). Entretanto, o tamanho do cérebro é maior em apenas 3cm cúbicos, e a inteligência avança somente em 1,3%. Bem pouca coisa para uma conclusão que a inteligência está ligada à genética.
Como as pesquisas relacionadas ao cérebro não conseguem sanar as dúvidas dos cientistas, convidamos o leitor para analisar o tema a partir da consideração de ser a inteligência extrafísica, e o cérebro um instrumento do espírito, ou seja, partimos do conceito de sermos uma alma imortal, onde se localiza a inteligência, sendo o cérebro instrumento de manifestação dessa alma. É o que propõe o Espiritismo.

A visão espírita não descarta o determinismo intelectual, visto que a alma, ou espírito, traz para a encarnação tudo o que desenvolveu até então, ou seja, toda a inteligência adquirida, mas rejeita a hereditariedade genética, pois a inteligência não pertence ao corpo e não pode ser passada de indivíduo para indivíduo, ou em outras palavras, de pai para filho. Também o Espiritismo explica que tudo o que o espírito conquista é patrimônio inalienável, mas a cada encarnação ele privilegia o desenvolvimento desta ou daquela área, por exemplo, se foi muito dedicado às ciências exatas, pode agora vir para desenvolver aptidões nas ciências humanas.

A diferença intelectual entre as pessoas é facilmente explicada quando inserimos a lei de evolução que se processa através da reencarnação. Somos individualidades imortais destinadas à perfeição, mas o caminhar nessa direção e alcançar em maior ou menor tempo essa destinação, é de cada um, ou seja, cada espírito está num determinado grau de evolução, tanto intelectual quanto moral, daí as diferenças intelectuais e de aptidões. Isso também é acentuado pelo organismo biológico de que se serve o espírito, pois o corpo pode ser um entrave para sua manifestação intelectual plena. Nesse caso, o espírito pode ser muito inteligente, mas deficiências orgânicas podem limitá-lo na exteriorização dessa inteligência.

Lembremos que as deficiências orgânicas não acontecem por acaso, pois tudo tem sua razão de ser. Muitas vezes o espírito solicita passar por esta ou aquela prova, necessária ao seu progresso, planejando no processo reencarnatório enfrentar esta ou aquela condição menos favorável quanto ao organismo biológico. E ainda temos as expiações, sempre redentoras, quando o espírito, por ter infringido várias vezes a Lei Divina, acarreta para si consequências desequilibrantes para sua mente e seu perispírito (corpo espiritual), o que, invariavelmente, trará disfunções para seu corpo.

Seja como for, com o Espiritismo entendemos que a inteligência é patrimônio do espírito, sendo o corpo apenas seu instrumento de manifestação. Isso fica patente no fenômeno mediúnico, quando o espírito de um encarnado, parcialmente separado do corpo através da emancipação da alma, ou desdobramento, se apresenta através de um médium. Se em vida apresenta problemas para manifestar sua inteligência, emancipado do corpo o espírito nenhum entrave encontra para pensar, dialogar e resolver questões que, em estado de vigília não consegue. É que a inteligência pertence a ele, está na sua essência, independe da matéria corporal e mantém-se intacta. É o seu instrumento de manifestação que está com defeito, por isso que estudar o cérebro é estudar os efeitos e não a causa.

Se a inteligência fosse herdada geneticamente, de nada valeriam os esforços da educação para desenvolvê-la; no máximo a educação serviria para adestrá-la, pois seríamos totalmente dependentes de genes e suas modificações. Entretanto, é bom lembrar que somos seres pensantes dotados de razão e livre-arbítrio, e seria reduzir a bem pouco, o ser humano, considerá-lo um dependente químico de secreções neuronais intelectivas, como insistem os cientistas. Aliás, uma boa pergunta a ser respondida pela ciência é esta: Como neurônios, que são células orgânicas, conseguem pensar? Convidamos a comunidade científica a responder esta pergunta, não com hipóteses e teorias fantasiosas, e sem sair do terreno biológico. Se conseguirem, dando resposta satisfatória a todas as questões que envolvem a inteligência e sua manifestação, poderemos rever nossa posição espiritualista e “matar” a alma, mas estamos muito tranquilos, pois todos os fatos corroboram a tese espírita e, como dizem, contra os fatos não existem argumentos contrários possíveis.

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O autor é educador, escritor e consultor educacional e empresarial. Colabora no Centro Espírita Humildade e Amor, no Rio de Janeiro-RJ. É programador e apresentador na rádio Rio de Janeiro e autor, entre outros, do livro "Visão Espírita da Educação" (Editora O Clarim).