Depressão vs Melancolia: Algumas Notas
Depressão vs Melancolia: Algumas Notas
Conceitos como tristeza, depressão, melancolia encontram-se intrincados
no seio da nossa comunicação, presentes no dia-a-dia, vulgarmente
confundidos ou reduzidos ao mesmo.
A tristeza aparece quando se
perde algo ou alguém a que se estava fortemente ligado. Contudo, quando
esse algo que se perdeu era já era visto como incerto e apenas mantido
por uma crença relacionada a um sentimento de onipotência, a tristeza é
sentida, mas negada a realidade da perda – ou, mais precisamente,
negado o sentimento de perda. E assim se instala a depressão.
A depressão é, assim, a negação do sentimento de perda; está-se triste sem saber porquê.
Quando se perdeu alguém de quem se estava dependente, mas cuja
dependência era sentida como uma inferioridade pessoal, da mesma forma a
tristeza é sentida, mas negado o sentimento de perda. E, pela mesma
razão, se instala um quadro depressivo.
O depressivo é um
indivíduo com uma deficiência na autoestima (no narcisismo para ser
mais correto). A sua representação e o seu valor próprio é confirmado e
avaliado pelos outros, sendo estes o espelho da sua imagem,os que
constroem a sua representação e provocam admiração e o dito amor.
Já a depressividade não é idêntica à personalidade depressiva corrente;
precisamente, pelos sintomas comuns da última (quebra de energia,
falta de esperança no Outro, no mundo). Pelo contrário, os doentes têm
energia, mas é uma energia de esforço. São pessoas com uma forte
tendência para idealizar os outros (mergulharem na fantasia narcísica).
Sobrevivem da idealização dos outros, idolatrando o ente amado, que
adoram e veneram (numa posição submissa e algo penosa). Não esperam, nem
obtêm, em significativa medida, a retribuição devida e desejável.
Agradecem o simples facto de poderem amar. São felizes fazendo os outros
felizes; felizes – à sua maneira, abdicando do desejo próprio que quase
ignoram. Vivem, pois, num amor não correspondido. O que,
necessariamente, é deprimente. Mas não sentem, não vivem a depressão.
No Eu destas pessoas padece um vazio existencial que necessita de um
amor para o seu preenchimento estrutural, estruturado e estruturante.
Mas o sujeito, o Eu, ignora essa necessidade; e, consequentemente, não
procura satisfazê-la. Como resultado da insatisfação existente mas
ignorada, gera-se uma raiva imensa apenas sentida como tensão,
desconforto ou irritabilidade – ou nem sequer sentida – e quase sempre
não reconhecida, não ligada a eventos, pessoas ou propósitos.
São extremamente inseguros e muito dependentes, embora a dependência
seja pouco notada, porque encoberta pelos comportamentos de cuidar dos
outros.
Em suma, «o melancólico não sabe o que lhe falta, mas
sabe que lhe falta algo (um amor envolvente, sabemo-lo hoje em dia). O
pré-depressivo não sabe sequer que lhe falta algo – apenas ficou, quando
ficou, a sensação corporal vaga de um mal-estar indefinido.» (Matos,
A.C.)
por Claudio Vieira Sem com
Conceitos como tristeza, depressão, melancolia encontram-se intrincados
no seio da nossa comunicação, presentes no dia-a-dia, vulgarmente
confundidos ou reduzidos ao mesmo.
A tristeza aparece quando se
perde algo ou alguém a que se estava fortemente ligado. Contudo, quando
esse algo que se perdeu era já era visto como incerto e apenas mantido
por uma crença relacionada a um sentimento de onipotência, a tristeza é
sentida, mas negada a realidade da perda – ou, mais precisamente,
negado o sentimento de perda. E assim se instala a depressão.
A depressão é, assim, a negação do sentimento de perda; está-se triste sem saber porquê.
Quando se perdeu alguém de quem se estava dependente, mas cuja
dependência era sentida como uma inferioridade pessoal, da mesma forma a
tristeza é sentida, mas negado o sentimento de perda. E, pela mesma
razão, se instala um quadro depressivo.
O depressivo é um
indivíduo com uma deficiência na autoestima (no narcisismo para ser
mais correto). A sua representação e o seu valor próprio é confirmado e
avaliado pelos outros, sendo estes o espelho da sua imagem,os que
constroem a sua representação e provocam admiração e o dito amor.
Já a depressividade não é idêntica à personalidade depressiva corrente;
precisamente, pelos sintomas comuns da última (quebra de energia,
falta de esperança no Outro, no mundo). Pelo contrário, os doentes têm
energia, mas é uma energia de esforço. São pessoas com uma forte
tendência para idealizar os outros (mergulharem na fantasia narcísica).
Sobrevivem da idealização dos outros, idolatrando o ente amado, que
adoram e veneram (numa posição submissa e algo penosa). Não esperam, nem
obtêm, em significativa medida, a retribuição devida e desejável.
Agradecem o simples facto de poderem amar. São felizes fazendo os outros
felizes; felizes – à sua maneira, abdicando do desejo próprio que quase
ignoram. Vivem, pois, num amor não correspondido. O que,
necessariamente, é deprimente. Mas não sentem, não vivem a depressão.
No Eu destas pessoas padece um vazio existencial que necessita de um
amor para o seu preenchimento estrutural, estruturado e estruturante.
Mas o sujeito, o Eu, ignora essa necessidade; e, consequentemente, não
procura satisfazê-la. Como resultado da insatisfação existente mas
ignorada, gera-se uma raiva imensa apenas sentida como tensão,
desconforto ou irritabilidade – ou nem sequer sentida – e quase sempre
não reconhecida, não ligada a eventos, pessoas ou propósitos.
São extremamente inseguros e muito dependentes, embora a dependência
seja pouco notada, porque encoberta pelos comportamentos de cuidar dos
outros.
Em suma, «o melancólico não sabe o que lhe falta, mas
sabe que lhe falta algo (um amor envolvente, sabemo-lo hoje em dia). O
pré-depressivo não sabe sequer que lhe falta algo – apenas ficou, quando
ficou, a sensação corporal vaga de um mal-estar indefinido.» (Matos,
A.C.)
por Claudio Vieira Sem com

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