O que é terapia cognitivo-comportamental? E como é?
Publicado por Psicólogo Online Felipe de Souza
Olá amigos!
Recebi muitas perguntas sobre o que é a
terapia cognitivo-comportamental, como é que funciona e para quem seria
ideal. Neste texto, vou procurar falar mais a respeito desta forma de
terapia e esclarecer as principais dúvidas que surgem de quem está
começando a estudar psicologia, está buscando tratamento psicológico ou
quer saber mais sobre as abordagens de nossa área.
O que é terapia cognitivo-comportamental?
Primeiro, podemos começar definindo com
clareza o que é a terapia cognitivo comportamental, que surgiu nos
Estados Unidos, da reunião de duas correntes das pesquisas em psicologia
por lá: a psicologia comportamental (ou behaviorismo) e da psicologia
cognitiva. Em princípio, é até curioso observar que as duas correntes de
pesquisa são discordantes em muitos aspectos.
Quem conhece um pouco mais sobre a
comportamental vai saber que muitos dos seus pressupostos (como não
utilizar conceitos como “mente”, “psique”, entre outros) são utilizados
na psicologia cognitiva, embora com outros nomes. Assim, na psicologia
cognitiva não se fala de mente, mas se usa o termo cognição (que dá o
nome à abordagem) e são usados conceitos como crenças, pensamentos
recorrentes, atitudes mentais, etc.
Ou seja, em princípio a união dentre a
psicologia comportamental e a psicologia cognitiva não seria uma coisa
esperada. Talvez para os defensores da psicologia cognitiva seja mais
fácil utilizar os conceitos da psicologia comportamental, enquanto que
para os behavioristas radicais isto seja um pouco mais complicado, ou,
então, desnecessário.
De todo modo, na prática da psicologia
clínica muitos psicólogos, inicialmente nos Estados Unidos, e depois no
mundo todo começaram a reunir as duas correntes e criou-se assim a
chamada terapia cognitivo-comportamental, que se arroga o título de ser a
terapia psicológica com mais resultados efetivos. E, como em sua
epistemologia possui ideias próximas à biologia e a química, é muito
respeitada no meio dos médicos.
Além desta pequena história do começo
deste tipo de terapia e da definição de que é a reunião da psicologia
cognitiva e psicologia comportamental com objetivos clínicos, podemos
definir a terapia cognitiva-comportamental como uma terapia que ajuda os
pacientes a entender os seus pensamentos e os seus sentimentos e a sua
influênciam nos seus comportamentos.
Em outras palavras, ajuda a pessoa a
conhecer melhor o seu modo de conceber, através dos pensamentos e
sentimentos (cognição), os seus modos de agir (comportamento). Como
disse, é um tipo de terapia muito respeitada no meio médico e é indicada
para casos de fobia, dependência química, depressão e ansiedade. Mas
também é indicada para o tratamento de outros sintomas como veremos
abaixo.
Características da terapia cognitivo-comportamental
Ao contrário de outras linhas da
psicologia, a terapia cognitivo comportamental é uma abordagem diretiva,
geralmente com objetivos definidos e, consequentemente, com um prazo
específico para a conclusão. Isto faz sentido se pensarmos que, ao invés
de ter uma busca geral pelo autoconhecimento, o foco da TCC (sigla para
Terapia Cognitivo-Comportamental) é resolver uma dificuldade, um
problema ou sintoma.
Assim, se o sujeito busca a terapia para
curar o seu medo de andar da avião, o terapeuta não vai investigar toda
a sua infância, seus sentimentos mais profundos e assim por diante.
Como há um objetivo específico – curar o medo de andar de avião – a
terapia vai se limitar a resolver este problema, e terá o seu fim quando
o medo de andar de avião for superado, provavelmente em algumas
sessões.
Como o objetivo é descobrir as causas
cognitivas para dificuldades comportamentais, o terapeuta vai investigar
quais são os pensamentos, sentimentos e crenças negativos ou
destrutivos que estão atrapalhando o sujeito a realizar uma dada ação –
como andar de avião. Digamos que o pensamento por trás do medo seja de
que o avião vai cair, com a visualização de cenas de destruição aérea,
fogo, fumaça, e outras imagens contendo esta ideia. Com as técnicas
específicas, tais pensamentos serão avaliados e modificados para que o
medo gradualmente desapareça.
A base, portanto, da terapia
cognitivo-comportamental é que os pensamentos, sentimentos e crenças
(cognições) desempenham um importante papel nos comportamentos. Se na
terapia comportamental o enfoque maior esteve na influência do meio
ambiente no comportamento (embora o chamado comportamento encoberto
também tenha sido estudado), na TCC a perspectiva é a de que o que
acontece “dentro” do indivíduo, em sua cognição, tem maior relevância
para que as mudanças sejam permanentes.
Como acontece com qualquer linha teórica, a Terapia Cognitiva-Comportamental se dividiu em diferentes escolas como, por exemplo:
- a TCC em Mindfulness, em inglês, a Mindfulness-based cognitive therapy (MBCT),
- a Terapia de Aceitação e Compromisso, Acceptance and Committment Therapy (ACT),
- a Terapia Comportamental Dialética, Dialectical Behaviour Therapy (DBT),
- a Terapia do esquema, Schema Therapy
Os benefícios da Terapia Cognitivo Comportamental
Segundo o site da Associação Australiana de TCC, podemos notar 3 grandes benefícios:
- a TCC foi intensamente investigada em rigorosos testes clínicos científicos e, por isso, possui suporte empírico de que funciona;
- a TCC é estruturada, orientada para um objetivo, focada em dificuldades imediatas assim como estratégias de longo prazo e requer envolvimento ativo do cliente;
- a TCC é flexível, individual, e pode ser adotada para uma grande variedade de indivíduos e propósitos.
Uma pergunta que muitas pessoas fazem é:
A Terapia Cognitiva Comportamental funciona?
Como dissemos, a TCC vem sendo testada
em laboratório e testes clínicos controlados que comprovam a sua
eficácia. Para determinados quadros como ansiedade pode ter resultados
melhores (o que foi comprovado experimentalmente) do que o uso de
medicamentos ou, então, ser utilizada em conjunto com os medicamentos e
assim aumentar os resultados das drogas. Além disso, está comprovado
que, embora seja uma terapia focada e objetiva, os resultados são
duradouros, com a vantagem das estratégias aprendidas com o terapeuta
poderem ser utilizadas em outras áreas da vida.
Dizendo de forma mais específica, a TCC demonstrou a sua eficácia em pessoas com os seguintes problemas.
- Ansiedade generalizada
- Pânico
- Transtorno Obsessivo Compulsivo
- Fobias
- Estresse Pós-Traumático
- Depressão
- Transtornos Alimentares
- Disfunções sexuais
- Problemas de relacionamento
- e Problemas de comportamento, entre outros.
Como é a primeira sessão da Terapia Cognitivo-Comportamental?
Na primeira sessão, o terapeuta vai
conduzir a consulta para saber do problema que o paciente gostaria de
tratar, conhecer experiências passadas que estão ligadas a este problema
e tipos de tratamento que já foram realizados ou estão sendo realizados
no momento. O terapeuta vai informar sobre o que é a TCC e como
funciona, e, também, vai deixar com que a pessoa possa expressar tudo o
que achar relevante a respeito do problema específico que a trouxe para a
consulta.
Depois desta avaliação inicial, o
terapeuta vai dar ao paciente o que ele pode esperar do tratamento e o
prazo médio da terapia para a resolução daquele problema, embora o
Conselho Federal de Psicologia oriente a não fazer previsão taxativa de
resultados, o terapeuta pode informar como tem sido os resultados para
aquele tipo específico de situação.
Também conversa-se sobre o plano de
tratamento, incluindo a definição mais clara dos objetivos e formas de
descrever e saber do progresso das sessões.
Como são as outras sessões da Terapia Cognitivo-Comportamental?
Como a TCC é focada em resultados, todo o
processo terapêutico é bem planejado. Existem muitas e muitas técnicas
que podem ser utilizadas, de modo que as consultas variam de indivíduo
para indivíduo, mas, de uma maneira geral, podemos dizer que o terapeuta
vai dar a oportunidade para o paciente contar o que aconteceu desde a
última conversa e explicar o que mudou ou novos fatos relevantes,
avaliar o progresso e medi-lo, e permitir que novas atividades sejam
programadas com o intuito de aprender novas habilidades ou introduzir
novos comportamentos em seu repertório.
Além disso, embora haja o planejamento,
as sessões podem variar de acordo com as dúvidas do paciente e o
surgimento de novos fatos.
O que acontece entre as sessões?
Como a TCC é uma abordagem diretiva,
também chamada de terapia do fazer (ao invés da terapia da fala), o
paciente vai ser solicitado a fazer novas atividades, a se comportar de
maneiras diferentes, a testar novos atos. Tudo, claro, dentro do
planejamento do terapeuta e de forma segura para o paciente. Quer dizer,
o paciente terá uma espécie de “dever de casa” para fazer enter as
sessões e, deste modo, acelerar o processo terapêutico.
