sábado, 29 de março de 2014

O que é terapia cognitivo-comportamental? E como é?

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Olá amigos!
Recebi muitas perguntas sobre o que é a terapia cognitivo-comportamental, como é que funciona e para quem seria ideal. Neste texto, vou procurar falar mais a respeito desta forma de terapia e esclarecer as principais dúvidas que surgem de quem está começando a estudar psicologia, está buscando tratamento psicológico ou quer saber mais sobre as abordagens de nossa área.

O que é terapia cognitivo-comportamental?


Primeiro, podemos começar definindo com clareza o que é a terapia cognitivo comportamental, que surgiu nos Estados Unidos, da reunião de duas correntes das pesquisas em psicologia por lá: a psicologia comportamental (ou behaviorismo) e da psicologia cognitiva. Em princípio, é até curioso observar que as duas correntes de pesquisa são discordantes em muitos aspectos.

Quem conhece um pouco mais sobre a comportamental vai saber que muitos dos seus pressupostos (como não utilizar conceitos como “mente”, “psique”, entre outros) são utilizados na psicologia cognitiva, embora com outros nomes. Assim, na psicologia cognitiva não se fala de mente, mas se usa o termo cognição (que dá o nome à abordagem) e são usados conceitos como crenças, pensamentos recorrentes, atitudes mentais, etc.

Ou seja, em princípio a união dentre a psicologia comportamental e a psicologia cognitiva não seria uma coisa esperada. Talvez para os defensores da psicologia cognitiva seja mais fácil utilizar os conceitos da psicologia comportamental, enquanto que para os behavioristas radicais isto seja um pouco mais complicado, ou, então, desnecessário.

De todo modo, na prática da psicologia clínica muitos psicólogos, inicialmente nos Estados Unidos, e depois no mundo todo começaram a reunir as duas correntes e criou-se assim a chamada terapia cognitivo-comportamental, que se arroga o título de ser a terapia psicológica com mais resultados efetivos. E, como em sua epistemologia possui ideias próximas à biologia e a química, é muito respeitada no meio dos médicos.

Além desta pequena história do começo deste tipo de terapia e da definição de que é a reunião da psicologia cognitiva e psicologia comportamental com objetivos clínicos, podemos definir a terapia cognitiva-comportamental como uma terapia que ajuda os pacientes a entender os seus pensamentos e os seus sentimentos e a sua influênciam nos seus comportamentos.

Em outras palavras, ajuda a pessoa a conhecer melhor o seu modo de conceber, através dos pensamentos e sentimentos (cognição), os seus modos de agir (comportamento). Como disse, é um tipo de terapia muito respeitada no meio médico e é indicada para casos de fobia, dependência química, depressão e ansiedade. Mas também é indicada para o tratamento de outros sintomas como veremos abaixo.

Características da terapia cognitivo-comportamental


Ao contrário de outras linhas da psicologia, a terapia cognitivo comportamental é uma abordagem diretiva, geralmente com objetivos definidos e, consequentemente, com um prazo específico para a conclusão. Isto faz sentido se pensarmos que, ao invés de ter uma busca geral pelo autoconhecimento, o foco da TCC (sigla para Terapia Cognitivo-Comportamental) é resolver uma dificuldade, um problema ou sintoma.

Assim, se o sujeito busca a terapia para curar o seu medo de andar da avião, o terapeuta não vai investigar toda a sua infância, seus sentimentos mais profundos e assim por diante. Como há um objetivo específico – curar o medo de andar de avião – a terapia vai se limitar a resolver este problema, e terá o seu fim quando o medo de andar de avião for superado, provavelmente em algumas sessões.

Como o objetivo é descobrir as causas cognitivas para dificuldades comportamentais, o terapeuta vai investigar quais são os pensamentos, sentimentos e crenças negativos ou destrutivos que estão atrapalhando o sujeito a realizar uma dada ação – como andar de avião. Digamos que o pensamento por trás do medo seja de que o avião vai cair, com a visualização de cenas de destruição aérea, fogo, fumaça, e outras imagens contendo esta ideia. Com as técnicas específicas, tais pensamentos serão avaliados e modificados para que o medo gradualmente desapareça.

A base, portanto, da terapia cognitivo-comportamental é que os pensamentos, sentimentos e crenças (cognições) desempenham um importante papel nos comportamentos. Se na terapia comportamental o enfoque maior esteve na influência do meio ambiente no comportamento (embora o chamado comportamento encoberto também tenha sido estudado), na TCC a perspectiva é a de que o que acontece “dentro” do indivíduo, em sua cognição, tem maior relevância para que as mudanças sejam permanentes.

Como acontece com qualquer linha teórica, a Terapia Cognitiva-Comportamental se dividiu em diferentes escolas como, por exemplo:

  • a TCC em Mindfulness, em inglês, a Mindfulness-based cognitive therapy (MBCT),
  • a Terapia de Aceitação e Compromisso, Acceptance and Committment Therapy (ACT),
  • a Terapia Comportamental DialéticaDialectical Behaviour Therapy (DBT),
  • a Terapia do esquema, Schema Therapy

Os benefícios da Terapia Cognitivo Comportamental

 


Segundo o site da Associação Australiana de TCC, podemos notar 3 grandes benefícios:

  1. a TCC foi intensamente investigada em rigorosos testes clínicos científicos e, por isso, possui suporte empírico de que funciona;
  2. a TCC é estruturada, orientada para um objetivo, focada em dificuldades imediatas assim como estratégias de longo prazo e requer envolvimento ativo do cliente;
  3. a TCC é flexível, individual, e pode ser adotada para uma grande variedade de indivíduos e propósitos.

Uma pergunta que muitas pessoas fazem é:

A Terapia Cognitiva Comportamental funciona?

 


Como dissemos, a TCC vem sendo testada em laboratório e testes clínicos controlados que comprovam a sua eficácia. Para determinados quadros como ansiedade pode ter resultados melhores (o que foi comprovado experimentalmente) do que o uso de medicamentos ou, então, ser utilizada em conjunto com os medicamentos e assim aumentar os resultados das drogas. Além disso, está comprovado que, embora seja uma terapia focada e objetiva, os resultados são duradouros, com  a vantagem das estratégias aprendidas com o terapeuta poderem ser utilizadas em outras áreas da vida.

Dizendo de forma mais específica, a TCC demonstrou a sua eficácia em pessoas com os seguintes problemas.

  • Ansiedade generalizada
  • Pânico
  • Transtorno Obsessivo Compulsivo
  • Fobias
  • Estresse Pós-Traumático
  • Depressão
  • Transtornos Alimentares
  • Disfunções sexuais
  • Problemas de relacionamento
  • e Problemas de comportamento, entre outros.

Como é a primeira sessão da Terapia Cognitivo-Comportamental?

 


Na primeira sessão, o terapeuta vai conduzir a consulta para saber do problema que o paciente gostaria de tratar, conhecer experiências passadas que estão ligadas a este problema e tipos de tratamento que já foram realizados ou estão sendo realizados no momento. O terapeuta vai informar sobre o que é a TCC e como funciona, e, também, vai deixar com que a pessoa possa expressar tudo o que achar relevante a respeito do problema específico que a trouxe para a consulta.

Depois desta avaliação inicial, o terapeuta vai dar ao paciente o que ele pode esperar do tratamento e o prazo médio da terapia para a resolução daquele problema, embora o Conselho Federal de Psicologia oriente a não fazer previsão taxativa de resultados, o terapeuta pode informar como tem sido os resultados para aquele tipo específico de situação.

Também conversa-se sobre o plano de tratamento, incluindo a definição mais clara dos objetivos e formas de descrever e saber do progresso das sessões.

Como são as outras sessões da Terapia Cognitivo-Comportamental?

 


Como a TCC é focada em resultados, todo o processo terapêutico é bem planejado. Existem muitas e muitas técnicas que podem ser utilizadas, de modo que as consultas variam de indivíduo para indivíduo, mas, de uma maneira geral, podemos dizer que o terapeuta vai dar a oportunidade para o paciente contar o que aconteceu desde a última conversa e explicar o que mudou ou novos fatos relevantes, avaliar o progresso e medi-lo, e permitir que novas atividades sejam programadas com o intuito de aprender novas habilidades ou introduzir novos comportamentos em seu repertório.

Além disso, embora haja o planejamento, as sessões podem variar de acordo com as dúvidas do paciente e o surgimento de novos fatos.

O que acontece entre as sessões?

 


Como a TCC é uma abordagem diretiva, também chamada de terapia do fazer (ao invés da terapia da fala), o paciente vai ser solicitado a fazer novas atividades, a se comportar de maneiras diferentes, a testar novos atos. Tudo, claro, dentro do planejamento do terapeuta e de forma segura para o paciente. Quer dizer, o paciente terá uma espécie de “dever de casa” para fazer enter as sessões e, deste modo, acelerar o processo terapêutico.


COM O CORAÇÃO


Photo: COM O CORAÇÃO

Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

(Ana Jácomo)
 
Hoje eu não quero conversas vestidas de uniforme. Diálogos impecavelmente arrumados que não deixam o coração à mostra. As palavras podem sair de casa sem maquiagem. Podem surgir com os cabelos desalinhados, livres de roupas que as apertem, como se tivessem acabado de acordar. Dispensa-se tons acadêmicos, defesas de tese, regras para impressionar o interlocutor. O único requinte deve ser o sentimento. É desnecessário tentar entender qualquer coisa. Tentar solucionar qualquer problema. Buscar salvamento para o quer que seja.

Hoje, se quiser, se puder, se souber, me fala de você. Da essência vestida com essa roupa de gente com a qual você se apresenta. Fala dos seus amores, tanto faz se estão perto do seu corpo ou somente do seu coração. Fala sobre as coisas que costumam fazer você sintonizar a frequência do seu riso mais gostoso. Fala sobre os sonhos que mantêm o frescor, por mais antigos que sejam. Fala a partir daquilo em você que não desaprendeu o caminho das delícias. Do pedaço de doçura que não foi maculado. Da porção amorosa que saiu ilesa à própria indelicadeza e à alheia. A partir daquilo em você que continuou a acreditar na ternura, a se encantar e a se desprevenir, apesar de tantos apesares. Conta sobre as receitas que lhe dão água na boca. Sobre o que gosta de fazer para se divertir. Conta se você reza antes de adormecer.

Hoje eu quero conversar com um amigo pra falar também sobre as coisas bacanas da vida. As miudezas dela. A grandeza dela. A roda-gigante que ela é, mesmo quando a gente vive como se estivesse convencido de que ela é trem-fantasma o tempo inteiro. Um amigo pra falar de coisas sensíveis. Do quanto o ser humano pode ser também bondoso, honesto, afetuoso, divertido e outras belezas. Dos lugares onde nossos olhos já pousaram e daqueles onde pousam agora. Um amigo para conversar horas adentro, com leveza, de coisas muito simples, como a gente já fez mais amiúde e parece ter desaprendido como faz. Um amigo para se conversar com o coração.

E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem vez ou outra até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras.

(Ana Jácomo)