domingo, 30 de dezembro de 2012


“Não há um lugar onde aqueles que se empenham em alcançar a consciência possam encontrar segurança absoluta. A dúvida e a insegurança são indispensáveis para uma vida plena. Só aqueles que são capazes de perder essa vida podem ganhá-la. Uma vida ‘plena’ não consiste em uma plenitude teórica, mas em aceitar, sem reservas a substância fatal na qual estamos entranhados, e tentar dar sentido a ela ou criar um cosmo a partir da confusão caótica em que nascemos.

O homem tem que enfrentar o sofrimento. O oriental quer se livrar do sofrimento rejeitando-o. O ocidental tenta eliminar o sofrimento com drogas. Mas o sofrimento precisa ser superado, e a única maneira de superá-lo é suportá-lo”. 

(Jung, com 79 anos, por Claire Dunne – Carl Jung – Curador Ferido de Almas).


domingo, 25 de novembro de 2012

A Medicina Oficial se abre para a questão Espiritual 

Por: Dr Sérgio Felipe de Oliveira

A Medicina Oficial se abre para a questão Espiritual

A questão da vida após a morte, a sobrevivência do espírito após a morte do corpo biológico, sendo este a sede da emoção, da personalidade, da identidade de uma pessoa na hipótese do continuum da vida, a comunicabilidade entre a dimensão espiritual e o plano biológico nos estados de transe, na mediunidade, o entendimento do cérebro como o transdutor da alma e não como foco produtor do pensamento, são questões em aberto no território da Ciência.
A visão materialista entende que a pessoa é o corpo biológico, portanto a vida termina com a morte do corpo. Esta é uma hipótese que não foi comprovada pela Ciência. Assim, tanto a visão espírita proposta por Allan Kardec, quanto à visão organicista-materialista são hipóteses abertas à investigação pela Ciência Oficial.

Afirmar o materialismo como realidade existencial é hoje uma hipótese e não uma confirmação cientifica. Um cientista que se diz materialista fala em nome próprio e não em nome da Ciência. A Ciência Oficial está aberta à investigação das hipóteses espíritas tanto quanto as hipóteses materialistas. Assim é que as universidades americanas como a Universidade de Harvard (Mind-body Institut), a Universidade de Virginia (Pesquisa sobre reencarnação), a Universidade do Arizona (Laboratório de pesquisa sobre vida após a morte) www.veritas.arizona.edu e por extensão as 50 maiores faculdades de medicina dos EUA incluem em seus currículos de graduação e pós-graduação a Disciplina Medicina e Espiritualidade, segundo JAMA - Journal of American Medical Association.

A OMS _ Organização Mundial de Saúde, passa a admitir o sistema espiritual na caracterização de saúde e qualidade de vida como observamos no protocolo do WHOQOL-100 - www.ufrgs.br/psiq/whoqol1.html - (domínio VI Aspectos espirituais, religião e crenças pessoais na tabela 2 – Domínios e facetas do WHOQOL). 
Também, o CID-10, Código Internacional de Doenças, item F.44.3 - Estados de Transe e Possessão - configura como diagnóstico médico e qualifica o transe patológico (mediunidade/doença) quando o individuo não tem controle sobre o fenômeno, ocorrendo de forma involuntária e não desejada. Mas não é considerada doença o estado de transe (mediunidade/saúde) sob domínio da pessoa em seu contexto cultural ou religioso - www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm.
O DSM-IV, Casos Clínicos da Associação Americana de Psiquiatria, chega a ser mais objetivo utilizando o termo “possessão por espíritos”, colocando que consiste num transtorno dissociativo, com a ressalva de que “é o termo mais próximo deste intrigante diagnóstico”, demonstrando objetivamente que o entendimento do fenômeno ainda está em aberto - www.psych.org.
De fato, o estado de transe é um estado dissociativo (conversão) podendo configurar-se como Transtorno Dissociativo nos casos patológicos (mediunidade/doença) porque a interferência espiritual naturalmente provoca dissociação da mente. Portanto, considerar o estado de transe como transtorno dissociativo ou conversivo não exclui a hipótese de que seja um fenômeno espirítico.
Os estados conversivos ou dissociativos foram amplamente estudados no Hospital Salpêtrière de Paris, na escola do Prof. Charcot, onde Freud estudou. Em seus estudos alguns pesquisadores abordaram a hipótese espirítica (Mediunidade) como entendimento etiológico dos estados conversivos. Um deles foi Carl Gustav Jung que no segundo capítulo do primeiro volume de Obras Completas (Ed. Vozes) estuda o médium espírita. Também na mesma escola os médicos Gustav Geley e Albert Scherenck-Notzing abordaram formalmente a hipótese espírita como valida em medicina (Scherenck-Notzing em Le Phenomene Physique de La Mediunite e Gustav Geley em O Ser Subconsciente). Com isso, mesmo o termo Conversão Histérica enquanto fórmula estritamente anímica, como proposto por Freud, não foi e não é um consenso em medicina.
Como médico participo da hipótese espírita dos estados de transe e possessão e também no entendimento do sistema espiritual abordado pelo protocolo de Qualidade de Vida da OMS, procurando pesquisar as possibilidades da hipótese espiritual no processo de saúde e doença. Esta argumentação frente à abertura que a Medicina Oficial está dando para o entendimento do sistema espiritual permitiu que meu protocolo de pesquisa no estudo de 120 pacientes abordados segundo a óptica bio-psico-socio-espiritual fosse aprovado oficialmente junto à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e esta pesquisa já está sendo desenvolvida.
Julgo que a Medicina e a Ciência nas universidades precisam criar institutos e departamentos com todos os recursos para pesquisa cientifica, a fim de estudar a hipótese espiritual. É para este ideal que procuro contribuir para que esta questão não fique pautada em cima de opiniões pessoais.
É inequívoco que a Medicina e a Ciência estão abertas para esta hipótese.
Dr. Sergio Felipe de Oliveira - CRM 62.051
Sou médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Anatomista pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo com área de concentração em Neurociências e Neuroanatomia Ultraestrutural. Mestre em Ciências pela USP. Coordeno a Disciplina Optativa Medicina e Espiritualidade da FMUSP enquadrada no item práticas médicas para graduandos de medicina.  www.fm.usp.br/cedem/simposio/simposio.php

sábado, 24 de novembro de 2012

NÃO ESCONDA A TRISTEZA

Apesar de vivermos quase numa "Ditadura da Felicidade", temos que entender que a vida não se faz só de momentos felizes, mas de um repertório equilibrado de emoções que dão sentido a nossa existência.

Neste contexto, não deveríamos ter medo de revelar quando estamos tristes, pois, assim como a felicidade, a tristeza é também um sentimento legítimo e deve ser encarado sem preconceito em nosso repertório de emoções humanas.

A tristeza não é a mesma coisa que depressão. Tristeza é um estado onde ficamos mais quietos e sensíveis, em busca do silêncio e da solidão para nos refazermos. Estar triste é a revelação do nosso cansaço com desilusões, frustrações e repetições da vida.

Ao invés de tentar compreender nossa tristeza, tentamos a todo custo disfarçá-la e sufocá-la, não nos permitindo a essa experiência humana. Quando encaramos a tristeza como sinal de fraqueza ou desadaptação, preferimos maquiar nossas emoções com comportamentos aceitos socialmente, onde tudo tem que parecer estar sempre bem e o sorrisos nunca podem faltar em nosso semblante.

Ao invés de viver numa farsa, permita-se viver sua tristeza, pois ficar triste não é um erro ou sinal de fraqueza, ela é uma necessidade passageira desse nosso jeito humano de ser.


Pedro Leite Machado
Psicólogo Especialista em Gestalt-terapia Clínica
https://www.facebook.com/psi.pedroleite

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

REMEMORAÇÃO E REMINISCÊNCIA

Walter Benjamin dá a esses conceitos: na rememoração o tempo passado não é vazio nem homogêneo, enquanto que a reminiscência reforça a ideia de que ao mesmo tempo em que não se pode conhecer o passado em sua totalidade, é possível articular uma compreensão, ainda que provisória, sobre ele.  

 "Rememorar não significa apenas evocar o passado, ao contrário, nesse ato há um desejo em transformá-lo de modo a acabar o que ficou inacabado. Por isto, a evocação do passado não se limita à ordenação irreversível, assim como os seus nexos são ditados por afinidades eletivas e estas condicionam a cada presente a construção de sua própria história." 

Walter Benjamin

domingo, 4 de novembro de 2012

Cientistas pesquisam existência da alma

Segundo pesquisadores americanos, a alma humana estaria localizada no cérebro

Fabiano Candido, de
Reprodução
Cérebro
Alma, dizem os cientistas, estaria dentro do cérebro

Muitas pessoas garantem: já viram almas andando por aí. Dois cientistas querem ajudar essas pessoas a não virarem chacota – eles fazem uma pesquisa científica para provar que almas realmente existem.

Eles são o médico americano Stuart Hamerroff e o físico britânico Sir Roger Penrose. Numa reportagem feita pela publicação Daily Mail, eles explicaram que a alma de uma pessoa está dentro das células cerebrais em um lugar chamado microtúbulo. Os microtúbulos, segundo os livros de biologia, são estruturas proteicas que fazem parte do citoesqueleto das células. Elas ajudam no transporte celular pelo corpo humano.

Para os dois cientistas, elas são mais do que que isso. Pelo menos é o que afirmam na pesquisa que visa a formar a teoria quântica da consciência.

Segundo os pesquisadores, os microtúbulos têm energia quântica do universo. Essa energia seria a alma e ajudaria a formar a consciência de uma pessoa durante toda a sua vida. Portanto, quando a pessoa morre, essa energia quântica voltaria ao universo, de onde veio. Isso seria, portanto, a alma.

A teoria de ambos é muito criticada pela comunidade científica.

E toda vez que são provocados por um pesquisador, eles respondem com a teoria das pessoas que são ressuscitadas depois de uma parada cardíaca e sempre voltam com uma história do momento da morte.

Para eles, a história nada mais é do que a experiência dessa energia quântica indo embora do corpo e se vendo obrigada a voltar – já que a pessoa conseguiu sobreviver ao acidente cardíaco

Fonte: www.exame.com

domingo, 28 de outubro de 2012

''A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.''

Albert Einstein - Conferência de física realizada em 1927, na Bélgica.

''A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.''

@[12534674842:274:Albert Einstein]  - Conferência de física realizada em 1927, na Bélgica.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Aprender idiomas de forma intensiva faz o cérebro crescer

Após três meses de aulas intensivas, determinadas áreas do órgão aumentaram em intérpretes profissionais das Forças Armadas da Suécia

Homem passa em frente a desenho do cérebro humano
Homem passa em frente a desenho do cérebro humano: as áreas que sofreram alterações foram o hipocampo e três partes do córtex cerebral


Um grupo de pesquisadores suecos descobriu que determinadas partes do nosso cérebro crescem quando nos empenhamos em aprender uma língua estrangeira em um curto espaço de tempo. O estudo foi publicado na última edição do jornal NeuroImage.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores da Universidade de Lund selecionaram 14 estudantes da Academia de Intérpretes das Forças Armadas da Suécia. Esses jovens são submetidos a uma rotina superintensiva para aprenderem, em apenas 13 meses, a falar fluentemente russo, árabe egípcio ou dari (dialeto persa usado no Afeganistão). Nenhum deles tinha qualquer conhecimento prévio da língua estudada e, para dar conta do objetivo, mergulharam numa rotina que envolve aulas diárias de 8 da manhã ao final da tarde. "Os intérpretes da academia estudam numa intensidade incomparável a qualquer outro curso do sistema educacional sueco", escrevem os autores. "A extrema rigidez do curso requer o aprendizado de 300 a 500 novas palavras por semana", disse Johan Mårtensson (leia a entrevista), coordenador da pesquisa, ao site de VEJA.
Como parâmetro de comparação, a equipe de Mårtensson selecionou 17 alunos de medicina e de ciências da cognição da universidade sueca de Umeå. Eles também convivem com uma pesada rotina universitária, mas sem foco em idiomas estrangeiros. Os dois grupos realizaram exames de ressonância magnética (para mapear o cérebro) antes do início das aulas e após três meses dos seus respectivos cursos. Resultado: algumas regiões do cérebro dos intérpretes cresceram enquanto que, entre os universitários de Umeå, não foi registrada a mesma alteração.

As áreas que sofreram alterações foram o hipocampo e três partes do córtex cerebral. Em média, o hipocampo dos intérpretes registrou um aumento de 75 milímetros cúbicos em seu volume enquanto que a espessura das três partes do córtex, entre o mesmo grupo, aumentou 0,06 milímetros (também em média). "As diferentes áreas corticais são usadas quando produzimos e entendemos linguagem. Elas, por sua vez, se conectam com o hipocampo, utilizado quando tentamos aprender novos vocabulários", diz Mårtensson.

De acordo com o pesquisador, o estudo conseguiu medir os efeitos que o aprendizado de uma nova língua em um nível intensivo causa no cérebro, "algo que não havia sido feito antes." Segundo o pesquisador, "há muita coisa que sugere que aprender línguas é uma boa forma de deixar o cérebro em forma."
HIPOCAMPO
Como parâmetro de comparação, a equipe de Mårtensson selecionou 17 alunos de medicina e de ciências da cognição da universidade sueca de Umeå. Eles também convivem com uma pesada rotina universitária, mas sem foco em idiomas estrangeiros. Os dois grupos realizaram exames de ressonância magnética (para mapear o cérebro) antes do início das aulas e após três meses dos seus respectivos cursos. Resultado: algumas regiões do cérebro dos intérpretes cresceram enquanto que, entre os universitários de Umeå, não foi registrada a mesma alteração.

Fonte: www.exame.com

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cientistas identificam grupo de neurônios que controlam memória

Pesquisadores brasileiros e suecos realizaram estudo em conjunto.
Nicotina ativa células e 'mexe' com a memória, afirma neurocientista.

Rafael Sampaio Do G1, em São Paulo

Uma pesquisa publicada na revista "Nature Neuroscience" neste domingo (7) identifica um grupo de neurônios que tem como papel controlar a entrada e a saída de memórias no cérebro. O estudo foi realizado em parceria entre cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, com pesquisadores do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
As células, chamadas OLM, estão localizadas no hipocampo, área do cérebro ligada à formação de novas memórias. Ao serem desativadas, elas ajudam a absorver uma sensação, por exemplo um cheiro ou uma imagem, e transformá-la em memória. Ao serem ativadas, elas priorizam os sinais provenientes do próprio hipocampo em vez de estímulos sensoriais, atuando para "puxar" pela memória e lembrar de algo, afirma o neurocientista Richardson Leão, da UFRN, um dos autores do estudo.
Para Leão, o estudo "é o primeiro a mostrar que um único grupo de células é capaz de controlar tanto a formação quanto a evocação de memórias". A pesquisa avança no caminho para, no futuro, ser possível ativar memórias de forma artificial ou limitar a absorção de informações pelo hipocampo, por exemplo, de acordo com o neurocientista.
No caso de pessoas com Alzheimer, que têm perda na capacidade de armazenar memórias, a pesquisa pode permitir a criação de tratamentos levando em conta este grupo de neurônios, pondera Leão.
Para o estudo foram usados camundongos de laboratório transgênicos e uma combinação de técnicas inovadoras que possibilitaram, pela primeira vez, tornar os neurônios sensíveis a diferentes tipos de lasers, permitindo, assim, não apenas identificar o grupo específico em questão como também controlá-lo.
Os neurônios descobertos carregam um receptor para a nicotina. "Verificamos que as células são sensíveis a essa substância. A nicotina ativa as células, influencia o processo cognitivo", diz o neurocientista.
Para Leão, o estudo abre caminho para ser possível, futuramente, pesquisar um medicamento com fórmula parecida com a da nicotina, mas sem outros efeitos da substância, que permita ativar este grupo de neurônios e assim ajudar no tratamento de doenças como mal de Alzheimer e esquizofrenia.



Fonte:http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2012/10/cientistas-identificam-grupo-de-neuronios-que-controlam-memoria.html

Nobel de Medicina premia cientistas por trabalhos com células-tronco

Britânico John B. Gurdon e japonês Shinya Yamanaka são reconhecidos.
Descoberta revolucionou a medicina regenerativa ao 'reprogramar' células.

Do G1, em São Paulo

O Prêmio Nobel de Medicina de 2012 foi oferecido nesta segunda-feira (8) pelo Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia, a dois pesquisadores de células-tronco, o britânico John B. Gurdon, de 79 anos, e o japonês Shinya Yamanaka, de 50.
Os cientistas descobriram, em trabalhos separados por 44 anos de distância, que células adultas podem ser "reprogramadas" para se tornar imaturas e pluripotentes, ou seja, capazes de se especializar em qualquer órgão ou tecido corporal – como nervos, músculos, ossos e pele.
Na natureza, todos os animais se desenvolvem a partir de óvulos fertilizados. Nos primeiros dias após a concepção, o embrião é composto por células imaturas, que acabam virando vários tipos de células durante a formação e o amadurecimento do feto. Assim, cada grupo se especializa e adquire a capacidade de desempenhar uma função específica.
Até então, essa transformação era considerada unidirecional, sem possibilidade de volta. Mas os dois cientistas mudaram o destino delas, ao "atrasar o relógio" responsável pelo crescimento celular. Isso indica que, apesar de o genoma sofrer mudanças com o passar do tempo, essas alterações não são irreversíveis.
Cada vencedor levará 8 milhões de coroas, equivalentes a R$ 2,4 milhões.


Yamanaka Nobel Medicina 2012 (Foto: Kyodo News/AP)Yamanaka recebe ligação do primeiro-ministro japonês, Toshihiko Noda, que parabenizou o cientista por telefone nesta segunda-feira (8), durante entrevista coletiva na Universidade de Kyoto (Foto: Kyodo News/AP)

Em entrevista por telefone a uma rádio sueca, o biólogo Gurdon, cuja descoberta é de 1962, disse que está extremamente agradecido e surpreso pelo Nobel. O cientista também revelou ter ficado feliz pelo reconhecimento ao lado de Yamanaka, que segundo ele tem feito um "trabalho maravilhoso".
Já Yamanaka, em entrevista coletiva na Universidade de Kyoto, no oeste do Japão, onde é professor, afirmou que pretende continuar as pesquisas para contribuir realmente com a medicina e a sociedade, em aplicações clínicas de células-tronco.
"A única palavra que vem à mente é gratidão. Quero expressar minha sincera gratidão a todos os jovens pesquisadores, aos meus amigos e familiares que sempre me apoiaram", declarou o cientista, que em 2006 conseguiu gerar células-tronco pluripotentes induzidas (iPS), com recursos que, até então, os pesquisadores acreditavam que estavam disponíveis apenas em células-tronco embrionárias.
Enquanto falava aos jornalistas, Yamanaka recebeu uma ligação do primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda, que o parabenizou pela conquista. O cientista, que dirige o Centro de Pesquisa e Aplicação de células iPS na universidade, também contou a novidade à mãe, de 80 anos.

John B Gurdon Nobel de Medicina 2012 (Foto: Justin Tallis/AFP)Britânico John B. Gurdon fez descoberta em 1962 ao estudar células-tronco de sapos; Acima, vencedor do Nobel de Medicina participa de entrevista coletiva em Londres nesta segunda-feira (8) (Foto: Justin Tallis/AFP)


Importância das pesquisas
 
Os resultados obtidos por Gurdon e Yamanaka revolucionaram o entendimento sobre como as células e os organismos se desenvolvem e segmentam. Isso tornou possíveis estudos mais aprofundados sobre doenças e novos métodos de diagnóstico e tratamento. Além disso, livros didáticos foram reescritos e surgiram novas áreas de investigação científica.
Os dois trabalhos também trouxeram grandes avanços à área de medicina regenerativa, ao estabelecer as bases para a reprogramação de células adultas em células-tronco.
Até então, os cientistas acreditavam que esse caminho não poderia ser revertido, ou seja, transformar uma célula madura em imatura. Com a descoberta, células-tronco agora podem ser cultivadas em grande quantidade em laboratório.
O assunto, porém, tem sido motivo de amplas discussões sobre segurança – mas tem o lado positivo de não entrar na questão ética envolvida nas células-tronco embrionárias, que acabam destruindo embriões para serem usadas.
Segundo o Comitê do Nobel, durante a apresentação nesta segunda, é a sociedade que precisa discutir se as células adultas devem ou não ser aplicadas em pessoas doentes no futuro. Além disso, espera-se que, quando for viável o uso terapêutico das células iPS, elas não causem rejeição nos pacientes porque são geneticamente compatíveis com a pessoa, o que facilitaria a reconstrução de órgãos e tecidos.
Em 2007, outro trabalho envolvendo células-tronco, para manipulação genética em animais, foi premiado com um Nobel de Medicina.
Para 2013, está previsto um teste clínico em Kobe, no Japão, que deve usar pela primeira vez essa técnica em pacientes cuja retina sofreu uma doença chamada degeneração macular relacionada à idade (DMRI).
Além disso, outra linha de pesquisa quer começar a produzir, em grande quantidade, células iPS a partir de um pequeno grupo de doadores, o que poderia ser utilizado em muitos receptores.


Células-tronco Nobel (Foto: Center for iPS Cell Research and Application/Kyoto University/Reuters)Imagem de neurônios derivados de células-tronco pluripotentes é divulgada pela Universidade de Kyoto, onde Yamanaka trabalha (Foto: Center for iPS Cell Research and Application/Kyoto University/Reuters)


A descoberta de Gurdon
 
Gurdon, que nasceu na pequena cidade de Dippenhall, no sul da inglaterra, é professor na Universidade de Cambridge e coordena o Instituto Gurdon, antigo Instituto de Células Biológicas e Câncer, que mudou de nome em 2004 como reconhecimento ao britânico.
Em 1962, o Gurdon fez seu estudo com sapos, ao substituir o núcleo de uma célula imatura no óvulo de fêmeas pelo núcleo de uma célula madura do intestino de um girino.
Esse óvulo modificado acabou se desenvolvendo em um girino normal, apesar de o DNA da célula madura conter toda a informação necessária para desenvolver cada uma das células do indivíduo.
A descoberta de Gurdon, que é PhD e em 1995 foi condecorado com o título de cavaleiro (Sir) do Império Britânico pela rainha Elizabeth II, foi recebida inicialmente com desconfiança pela comunidade científica, mas foi aceita após ser confirmada por outros pesquisadores, que conduziram experimentos com clonagem de vacas, porcos e a famosa ovelha Dolly.

O estudo de Yamanaka
 
Mais de 40 anos depois, Yamanaka – que, além de dar aulas na Universidade de Kyoto, é ligado ao Instituto Gladstone, em São Francisco, nos EUA – coordenou pesquisas com roedores.
O japonês, que nasceu em Osaka e havia sido treinado como cirurgião ortopédico antes de se dedicar à ciência, percebeu que quatro genes, quando ativados, podem induzir essa capacidade de pluripotência nas células, capazes de virar qualquer célula do corpo.
As células-tronco foram isoladas inicialmente pelo ganhador do Nobel de 2007 Martin Evans, e Yamanaka tentou encontrar os genes que as mantinham imaturas. Quando quatro genes foram identificados, o pesquisador testou se qualquer um deles poderia ser reprogramado para tornar as células pluripotentes.
Esses genes foram, então, introduzidos em células maduras do tecido conjuntivo, chamadas fibroblastos e localizadas na segunda camada da pele – a derme. Dessa forma, células adultas voltaram a ser imaturas, com a possibilidade de gerar neurônios a células intestinais.


Células-tronco Nobel (Foto: Center for iPS Cell Research and Application/Kyoto University/Reuters)Células-tronco acima foram desenvolvidas no Japão a partir de fibroblastos, células adultas da segunda camada da pele, a derme (Foto: Center for iPS Cell Research and Application/Kyoto University/Reuters)


Nobel de Medicina
 
O Nobel de Medicina é oferecido desde 1901 e já reconheceu o trabalho de 199 pessoas – 189 homens e 10 mulheres. Ao todo, 78 pesquisadores eram britânicos e 16, japoneses. A média de idade dos cientistas na data do anúncio era de 57 anos, e não há premiações póstumas – embora, no ano passado, um dos cientistas agraciados tenha morrido três dias antes da divulgação.
O pesquisador mais novo a receber esse Nobel foi Frederick G. Banting, que tinha 32 anos em 1923, pela descoberta da insulina.
Por nove vezes, o prêmio – que ganhou esse nome em homenagem ao inventor da dinamite, Alfred Nobel – não foi anunciado: em 1915, 1916, 1917, 1918, 1921, 1925, 1940, 1941 e 1942.
Medicina é sempre a primeira área valorizada com o Nobel a cada ano. Nesta terça-feira (9), será anunciado o Nobel de Física, na quarta (10) o de Química, na quinta (11) o da Paz, e na sexta (12) o de Economia. O de Literatura ainda não tem data definida.
Os vencedores são geralmente informados pelo júri no dia do anúncio oficial e não há uma lista de concorrentes disponível previamente, o que torna a divulgação sempre uma surpresa, embora haja favoritos.

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2012/10/nobel-de-medicina-premia-cientistas-por-trabalho-com-celulas-tronco.html

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Os grandes poetas jamais serão esquecidos...



Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes, "Antologia Poética", Editora do Autor, Rio de Janeiro, 1960, pág. 96.
 

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Buscando a excelência

Lya Luft

Quando falo em excelência, não me refiro a ser o melhor de todos, ideia que me parece arrogante e tola. Nada pior do que um arrogante bobo, o tipo que chega a uma reunião, seja festa, seja trabalho, e já começa achando todos os demais idiotas. Nada mais patético do que aquele que se pensa ou se deseja sempre o primeirão da classe, da turma, do trabalho, do bairro, do mundo, quem sabe? Talento e discrição fazem uma combinação ótima.

Então, excelência para mim significa tentar ser bom no que se faz, e no que se é. Um ser humano decente, solidário, afetuoso, respeitoso, digno, esperançoso sem ser tolo, idealista sem ser alienado, produtivo sem ser viciado em trabalho. E, no trabalho, dar o melhor de si sem sacrificar a vida, a família, a alegria, de que andamos tão carentes, embora os trios elétricos desfilem e as baladas varem a madrugada.

Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte desinformados, desinteressados, incultos, lamentáveis. Alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos — refiro-me às públicas — vão se tornando reduto de pobreza intelectual. As infelizes cotas, contra as quais tenho escrito e às quais me oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançarmos este objetivo: a mediocrizaçâo também do ensino superior. Alunos que não conseguem raciocinar porque não lhes foi ensinado, numa educação de brincadeirinha. E, porque não sabem ler nem escrever direito e com naturalidade, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado e pobre. Professores que, mal pagos, mal estimulados, são mal preparados, desanimados e exaustos ou desinteressados. Atenção: há para tudo isso grandes e animadoras exceções, mas são exceções, tanto escolas quanto alunos e mestres. O quadro geral é entristecedor.

E as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso ao ensino superior por mérito, porque o governo lhes tivesse dado uma ótima escola pública e bolsas excelentes: não porque, sendo incapazes e despreparados, precisassem desse empurrão. Meu conceito serve para cotas raciais também: não é pela raça ou cor, sobretudo autodeclarada, que um jovem deve conseguir diploma superior, mas por seu esforço e capacidade, porque teve ótimos 1º e 2° graus em escola pública e ou bolsas que o ampararam. Além do mais, as bolsas por raça ou cor são altamente discriminatórias: ou teriam de ser dadas a filhos de imigrantes japoneses, alemães, italianos, que todos sofreram grandemente chegando aqui, e muitos continuam precisando de esforços inauditos para mandar um filho à universidade.

Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jovens, em lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, busca de mérito, uso de sua própria capacidade e talento, já entre as crianças. O ensino nas últimas décadas aprimorou-se em fazer os pequenos aprender brincando. Isso pode ser bom para os bem pequenos, mas já na escola elementar, em seus primeiros anos, é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a vida não é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à saúde, mas que escola é também preparação para uma vida profissional futura, na qual haverá disciplina e limites — que aliás deveriam existir em casa, ainda que amorosos.

Muitos dirão que não estou sendo simpática. Não escrevo para ser agradável, mas para partilhar com meus leitores preocupações sobre este país com suas maravilhas e suas mazelas, num momento fundamental em que, em meio a greves, justas ou desatinadas, projetos grandiosos e seguidamente vãos — do improviso e da incompetência ou ingenuidade, ou desinformação —, se delineia com grande inteligência e precisão a possibilidade de serem punidos aqueles que não apenas prejudicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral, e a dignidade de milhões de brasileiros. Está sendo um momento de excelência que nos devolve ânimo e esperança.

REVISTA VEJA
24/09/2012

sábado, 22 de setembro de 2012

Primavera

Cecília Meireles


A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Texto extraído do livro " Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1
", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cérebros humanos são parecidos e escondem complexidade

Os cérebros compartilham a mesma estrutura molecular básica, mesmo pertencendo a pessoas muito diferentes, e possuem uma "enorme complexidade bioquímica"

haIlustração de um cérebro humano: além disso, segundo Lein, o hemisfério direito e esquerdo não mostram grandes diferenças quanto à arquitetura molecular

Londres - Apesar das diferenças em personalidade e habilidades cognitivas, os cérebros humanos são mais parecidos do que se pensava e escondem uma grande complexidade bioquímica, informa nesta quarta-feira a revista científica "Nature".

Os cérebros compartilham a mesma estrutura molecular básica, mesmo pertencendo a pessoas muito diferentes, e possuem uma "enorme complexidade bioquímica", explicou à Agência Efe Ed Lein, neurobiólogo e co-autor do estudo.

Estas conclusões procedem da primeira análise em grande escala dos dados obtidos pelo projeto "Allen Human Brain Atlas", o primeiro mapa em alta resolução do cérebro humano que integra tanto sua anatomia como sua informação genética.

Embora o atlas já tenha sido apresentado no ano passado, a publicação britânica divulga apenas hoje as primeiras conclusões do estudo, realizado por uma equipe de cientistas do Allen Institute for Brain Atlas de Seattle, liderados pelo matemático Michael Hawrylycz.

O mapa, desenhado a partir do cérebro completo de dois homens saudáveis e de um só hemisfério de um terceiro, abrange cerca de 900 subdivisões deste órgão e permite visualizar em três dimensões a atividade dos genes em distintas partes do cérebro.

Assim, os cientistas observaram que 84% dos genes se expressam em algum lugar do cérebro humano, em padrões que se parecem muito em diferentes cérebros.

Além disso, segundo Lein, o hemisfério direito e esquerdo não mostram grandes diferenças quanto à arquitetura molecular.
"Estes resultados só arranham a superfície do que podemos aprender a partir deste imenso conjunto de dados. Estamos impacientes para ver o que outros (pesquisadores) podem descobrir", comentou Lein.
Os cientistas continuarão acrescentando dados ao atlas durante este ano, e com eles esperam obter nova informação sobre o impacto de doenças como o Alzheimer, epilepsia, Parkinson, autismo e esquizofrenia sobre distintas regiões cerebrais.

Há vários anos existem mapas de alta resolução que mostram a expressão dos genes no cérebro dos ratos, mas até agora só haviam sido elaborados atlas muito simplórios do cérebro humano devido, entre outros fatores, ao fato de ser mil vezes maior que o dos roedores. 

Fonte: www.exame.com


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Choque de gerações ou conflito de hábitos?

Por: Rodrigo Rocha

Vivenciando uma época em que as gerações chamadas Baby Boomers, Geração X, Geração Y e Geração Z convivem e convergem entre si, percebo que a vida atual está plena de luta interna devido ao antagonismo dos sistemas de tendências, em que a vontade de uma geração poderia se manter na direção da outra se não fizesse caso de suas diferenças. Na minha opinião, o que pesa nesse contexto não é o chamado “choque de gerações”, mas sim um “conflito de hábitos”.
Os hábitos influem consideravelmente na civilização, permitindo ao ser humano conservar suas conquistas, dando-lhe a liberdade para conseguir novos progressos. Evitam os movimentos inúteis e permitem ao homem agir de maneira mais eficaz. Estabilizam a mente, sistematizando-a, ou seja, sem os hábitos a sociedade não seria concebível.  No entanto, existe o outro lado. Se os hábitos definem a natureza humana, igualmente a desfazem.  Constroem e também destroem. São como necessidades da vida e, no entanto, criam grandes  problemas ao mesmo tempo. Todas as gerações podem ser identificadas pela maneira característica de como agem ou agiam em relação a determinamos fatores de sua época (política, relação familiar, sexualidade, etc.). Não darei detalhes de cada geração específica (esse trabalho já foi feito muitas vezes) , porém, gostaria de refletir sobre o reflexo desses hábitos no mercado de trabalho.
Nascidos após a Segunda Guerra, entre 1945 a 1964, os Baby Boomers eram os filhos da esperança de um mundo que havia sofrido muito com as crises econômicas (como a queda da bolsa de 1929) e com o segundo conflito mundial. Em sua época, encontravam valorização do trabalho numa única empresa, geralmente regida por regras claras, horários definidos e crescimento profissional que, por sua vez, acontecia mais pelo tempo de trabalho dedicado a essa empresa, do que por experiências encontradas fora deste contexto. Na realidade atual, os indivíduos dessa geração são considerados pouco flexíveis e resistentes às mudanças contínuas e constantes presentes em nosso tempo.
A geração X veio na sequência e vivenciou  tempos incertos por conta da Guerra Fria, Ditaduras, crises econômicas de energia e o surgimento de novas doenças, como a AIDS. Consumidora dos primeiros computadores e videogames, esta geração, nascida entre 1960 e 1980, define-se por seu dinamismo e competitividade, por sua habilidade em se reinventar e se preparar mais para o mercado de trabalho. Pós-graduações, MBAs e PHDs fazem parte desse processo.
Folgados, mimados, distraídos e insubordinados são apenas uns dos adjetivos para a Geração Y. Grande parte desta geração pretende  conseguir ascensão profissional e financeira até os trinta anos. Nascidos numa época de muitas rupturas (queda do Muro de Berlin, queda de  regimes, ditaduras e de muitos conceitos pré-estabelecidos) são os filhos do divórcio, mas também da era digital, da internet, da preocupação com o meio ambiente e da vontade em fazer e ter as aquilo que querem, do jeito que querem. O interessante de se observar na população Y é a materialização do que antes era apenas um conceito para as reprimidas gerações anteriores. Com ideais de liberdade às vezes confusos, porém bem definidos, buscam trabalhar no que realmente gostam e têm plano de carreira compatível com aquilo que mais lhes agrada. Se não se sentem reconhecidos no trabalho simplesmente batem em retirada e vão em busca de oportunidades melhores. Empresas como Microsoft, Apple, Facebook defendem este conceito e dão a estes jovens um ambiente profissional em que possam expressar sua criatividade e talento.
A geração Z, iniciada em 1998, pode ser definida como a versão 2.O da geração Y e já nasceu “conectada”. Seus representantes não precisam de “manuais” para aprender, eles são a geração da “prática”. Uma característica marcante desse grande grupo é a necessidade de estarem sempre em contato com o outro, não necessariamente de forma física, mas pelas redes sociais atuais ou qualquer outra ferramenta de comunicação que venha surgir no mundo. Fazem parte da era dos indivíduos multitarefas que se sentem mais motivados a estudar e trabalhar por conta da tecnologia, em um ambiente de compartilhamento e colaboração.
Todas essas gerações constituem um determinado número de hábitos. Um hábito é como um caminho conhecido e, portanto, mais cômodo para ser trilhado. A verdade porém se faz de uma verdadeira contradição: desejamos o progresso sem “abrirmos mão” de mudar a nós mesmos. Argumentamos sobre uma nova ideia, um novo tipo de conduta preconizado por alguém, mas, particularmente, resistimos, sem adotá-la. De maneira frequente, perdemo-nos face a tantas mudanças e, quando o orgulho permite, pedimos ajuda, porém, ao sermos apresentados a uma nova e possível trajetória, não a seguimos. Voltamos atrás, dizemos que o novo conceito não serve; pedimos um novo remédio alienante sem percebermos a alegria das “velhas manias” nos falando baixinho para que permaneçamos firmes na antiga direção, ainda que essa seja a estrada para o fracasso.
A razão principal para que um hábito diferente não seja almejado é o próprio hábito. O maior motivo para que uma pessoa não se aperfeiçoe é não ter se aperfeiçoado no dia anterior. Não realizou hoje porque não havia realizado ontem. A dificuldade para novos aprendizados do trabalhador da geração mais antiga não se deve a uma incapacidade causada pela idade, mas por velhos hábitos que se interpõem, impedindo a mente do adulto a aceitar o novo e adaptar-se. O paradigma da “idade avançada” coloca tanto tempo e tanta energia sobre uns poucos hábitos que as pessoas não encontram forças para se modificarem. Trata-se de uma pressão tão forte que, aos poucos, arruína o indivíduo, pois cria nele um desagradável espírito crítico às gerações mais novas, não existindo em si qualquer inclinação para aceitar o mundo tal como realmente é e manter-se afinado com a sua época. São como certas trepadeiras selvagens que se repugnam e enrolam-se nas novas plantas impedindo-as de crescer.
Em casos restritos, as gerações, ao invés de se chocarem, encontram-se. Na minha família, tenho o privilégio de vivenciar essa sintonia. Meu pai é um Baby Boomer; meu irmão e eu somos crias da Geração Y. Certamente somos diferentes. Meu pai é o percursor dos sonhos de tudo que temos; nós, os herdeiros dos sonhos que ele plantou. Ele é um homem com visão e empreendedorismo distintos dos meus, porém colhemos, agora, todos juntos, de forma cada vez mais criativa e conectada com o mundo que nos cerca, o fruto de nossas experiências. Crescemos todos, aprendemos, erramos, mas em nossa busca constante nada se perdeu, tudo se renovou. Nessa jornada, aprendi, então, a plantar os meus próprios sonhos.
“Velhice é uma questão de hábitos, não de anos”. Em casa, aprendi essa lição. O diferente não é ruim; tão pouco, inferior. Basta compreendê-lo. Ser diferente é apenas uma questão de ponto de vista e tal ponto não deve ser desprezado, pois nele pode estar implícito a matéria prima para grandes mudanças e novas transformações.
Ironicamente, escrevo com o rádio ligado e a música tocada nesse momento é “Pais e Filhos”, do Renato Russo. A letra dessa canção traduz, em poesia, muito do que foi dito nesse texto: “o que você vai ser quando você crescer?”. Com tantas possibilidades de escolhas não é difícil nos perdermos. O mundo está mudando em uma velocidade assustadora. Novos hábitos tornam-se velhos em questão de dias. Precisamos evoluir, adaptar-nos. Não é uma tarefa simples, mas responder diariamente a genial questão (pelo contexto em que foi escrita) deixada pelo compositor pode nos ajudar a encontrar um caminho.
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Rodrigo Rocha é diretor de marketing da Amil, onde atua também na parte de Inovação. É cofundador da One Health, unidade de negócio do grupo Amil voltada ao segmento premium. Foi um dos primeiros executivos do Brasil a se integrar à Singularity University, no Vale do Silício, considerada a universidade que cria o futuro. Obteve o MBA em Finanças pelo IBMEC.

sábado, 8 de setembro de 2012

Um dia a maioria de nós irá se separar...


"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!"

Vinícius de Moraes

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Seja seu melhor amigo
Analisar os próprios erros com generosidade, mas sem poupar críticas, pode trazer benefícios terapêuticos
© Pkchai/Shutterstock

Refletir sobre os próprios problemas equilibrando crítica e gentileza – como se estivéssemos ajudando um amigo a pesar perdas e ganhos de uma situação ruim – tem poder terapêutico, afirmam pesquisadores da Universidade da Califórnia. O grupo, que estuda os efeitos da autocompaixão, relatou na Psychological Science os resultados positivos de um estudo com homens recém-divorciados que foram incentivados a falar consigo mesmos como se conversassem com alguém de quem realmente gostavam e que passava por algo difícil.

“Não se trata de ter pena ou ser complacente. Compaixão é tentar entender a dor do outro e ajudá-lo a enxergar atitudes que contribuem para o sofrimento”, define a psicóloga Kristin Neff, professora da Universidade do Texas, especialista no tema, que acompanhou o trabalho do grupo. Estudos anteriores mostram que pessoas com autocompaixão evitam críticas duras e generalizações negativas sobre si e sobre os outros. “Elas têm maior tendência a encarar os erros como aprendizado”, diz a psicóloga, ressaltando que isso não significa serem condescendentes com o que desaprovam.

Várias pesquisas revelam que pessoas excessivamente críticas e as que revelam autocompaixão têm, em média, desempenho acadêmico e profissional semelhante – com a diferença de que as últimas reagem melhor quando não conseguem atingir algum objetivo. Segundo Kristin, isso ocorre porque elas não associam o sentimento de valor pessoal ao sucesso.

Em outro estudo da Universidade da Califórnia, voluntários disseram se sentir melhor depois de escrever cartas de apoio a pessoas que viveram experiências traumáticas, como machucar alguém em um acidente de trânsito. “Como muitos de nós descobrem intuitivamente, aproveitar oportunidades de ajudar os outros desvia o foco de problemas pessoais e, muitas vezes, revela que algo que antes considerávamos uma tragédia na verdade não é”, explica uma das autoras da pesquisa, Juliana Breines. E cultivar a autocompaixão, segundo Kristin, pode ser mais simples do que parece. Ela menciona um experimento que mostra que envolver os braços ao redor do próprio corpo, em um generoso “autoabraço”, nos deixa mais propensos a agir gentilmente.


Revista Mente Cérebro