quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Uma simples reflexão...


O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Tudo o que sou me foi um dia emprestado pelo Criador para que eu possa dividir com aqueles que entram na minha vida. 

Ninguém cruza nosso caminho por acaso e nós não entramos na vida de alguém sem nenhuma razão. 

Há muito o que dar e o que receber; há muito o que aprender, com experiências boas ou negativas. Tente ver as coisas negativas que acontecem com você como algo que aconteceu por uma razão precisa.
E não se lamente pelo ocorrido; além de não servir de nada reclamar, isso vai te vendar os olhos, dificultando assim, continuar seu caminho.

 Quando não conseguimos tirar da cabeça que alguém nos feriu, estamos somente reavivando a ferida,
tornando-a muitas vezes bem maior do que era no início. Nem sempre as pessoas nos ferem voluntariamente. Muitas vezes somos nós que nos sentimos feridos e a pessoa nem mesmo percebeu; e nos sentimos decepcionados porque aquela pessoa não correspondeu às nossas expectativas. E sabemos lá quais eram as nossas expectativas?
Decepcionamo-nos e decepcionamos outras pessoas também. Mas, claro, é bem mais fácil pensar nas coisas que nos atingem. 

Quando alguém te disser que te magoou sem intenção, acredite nela! Vai te fazer bem. Assim, talvez, ela poderá entender quando você, sinceramente, disser que "foi sem querer". Dê de você mesmo o quanto puder! Sabe, quando você se for, a única coisa que vai deixar é a lembrança do que fez aqui. Seja bom, tente dar sempre o primeiro passo para a reconciliação, nunca negue uma ajuda ao seu alcance, perdoe e dê
de você mesmo.

 Seja uma bênção a todos que o cercam! Deus não vem em pessoa para abençoar, Ele usa os que estão aqui dispostos a cumprir essa missão. Todos nós podemos ser Anjos. A eternidade está em nossas mãos. 

Viva de maneira honrada, para que quando envelhecer, você possa falar só coisas boas do passado e sentir
assim, prazer uma segunda vez ... e ter a certeza de que quando você se for, muito de você ainda fique
naqueles que tiveram a boa ventura de te encontrar.

Chico Xavier

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Cada vez mais os ”feeds” tem invadido seu cérebro

Tente se lembrar da última linha do mais recente livro que você leu.  Ou, se você não é um grande leitor, procure lembrar o rosto da última pessoa que você conheceu. Agora tente lembrar sua última atualização de status no Facebook.
Se você lembrou mais rapidamente da última proposta, então você aumentaria o índice da pesquisa publicada na revista Memory & Cognition....


      De acordo com um novo estudo publicado nesta revista, nosso cérebro pode lembrar com mais facilidade as atualizações de status do Facebook, ao invés  de trechos de livros ou rostos. A autora principal do estudo,  Dr. Laura Mickes do Departamento de Psicologia da Universidade de Warwick, disse: "Ficamos realmente surpresos quando vimos o quanto mais forte eram as memórias de mensagens do Facebook, comparado a outros tipos de estímulos.
    Pesquisadores dizem que essas descobertas podem mudar a forma como nos relacionamos com a educação, a comunicação e a publicidade. Eles também revelam algo surpreendente sobre a evolução da mente humana. Nosso cérebro é evolutivo, então a teoria dos pesquisadores é que as mensagens on-line são gravadas em um formato que os torna mais digerível pelo nosso cérebro. Elas tendem a usar o discurso mais casual e mais direcionadas para a ação. Conforme os autores “ Escrita que é fácil e rápida de gerar, também é fácil de lembrar “.  
   Estaríamos voltando ao “tempo das cavernas”? Pois apesar de parecer banal, a linguagem online parece que está nos trazendo de volta às nossas raízes... A maioria daqueles “rabiscos” em cavernas e pirâmides eram curtos e de ação, baseados em relatórios sobre os acontecimentos do dia. Isso soa familiar?


    Mas o que isto  está querendo nos mostrar? Nossa linguagem será reduzida a uma série de curtidas em status? Não haverá mais leitura de livros? Não lembraremos mais de rostos que não sejam virtuais?
     Nada disso, pois no geral, a indústria de livros está crescendo, graças à tecnologia moderna. Além disso, a leitura de livros é benéfica para a nossa capacidade cognitiva. Ler boas obras literárias podem, obviamente, aumentar as habilidades memória de longo prazo também.
     Por outro lado, os pesquisadores apontam que os livros em si apresentam uma linguagem mais “polida”, uma fala melhor elaborada, onde muitos ainda têm a dificuldade da compreensão desta leitura. A conclusão? Os cérebros tem maior facilidade de processar mais  rapidamente  a linguagem comum.  E as mensagens do Facebook se prestam a isso.
          Nesse sentido o  estudo aponta que as mensagens online tendem a chegar direto ao ponto. Ou seja, nossa atenção está cada vez menor e não estamos conseguindo ficar focado em algo por  mais de 30 segundos. Entretanto, voltando ao “tempo das cavernas”:  nossos ancestrais descobriram  que era simplesmente demasiado perigoso manter o foco por um logo período de tempo, pois os predadores poderiam pegá-los desprevenidos, então de certa forma parece que estamos diante de um subproduto de nossa evolução... Será?
    Algo interessante desta pesquisa é que as pessoas têm interagido mais e lembrado de artigos e comentários de notícias publicados no “face”.
    Como na maioria das coisas na vida, o segredo está no equilíbrio, pois através desta pesquisa talvez devêssemos tomar mais cuidado sobre o que postar no Facebook, ou em outras redes sociais, porque estas postagens ao que tudo indica serão lembradas com maior facilidade.

Fonte: digitaltrends.com

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

ENSINAR E APRENDER...


Para a eficácia de uma aprendizagem pautada nos Quatro Pilares da Educação (Delors, 1999): “aprender a conhecer” , “aprender a fazer” , “aprender a ser” , os profissionais da educação devem ter conhecimento dos processos cerebrais, pois:

- Como ensinar “a conhecer” se nossos conhecimentos forem limitados?

- Como ensinar “a fazer”, se desconhecemos os processos que levam à aprendizagem?

- Como ensinar “a ser”, se nossa inteligência emocional se mostra prejudicada?

- Como ensinar “a viver junto”, se desconheço que nem sempre preciso concordar ou discordar das situações, mas simplesmente compreender? 

Ter conhecimento do funcionamento cerebral é entender como o conhecimento humano vem a se organizar, de que forma as emoções influenciam na aprendizagem, enfim postular aquilo que Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. 

Como estamos na era da informação, o saber por si só não evidencia que somos bons educadores (aliás, esta afirmativa pode se fazer presente em qualquer profissão), o diferencial de hoje é justamente saber como transmitir o nosso saber, que mecanismos utilizar para que a aprendizagem realmente seja eficaz, pois como escrito antes, estamos na era da informação, mesmo o aluno com a menor idade que tiver, ao vir para o mundo escolar, ele já traz muitas informações agregadas a ele.

No entanto, existe algo a ser lembrado: “informação” não é “conhecimento”. E esse é o grande diferencial do educador, ele não é um ser somente de informação, mas ele sabe, ou deveria saber, “transmitir” o conhecimento.
ENSINAR E APRENDER...
Para a eficácia de uma aprendizagem pautada nos Quatro Pilares da Educação (Delors,1999): “aprender a conhecer” , “aprender a fazer” , “aprender a ser” , os profissionais da educação devem ter conhecimento  dos processos cerebrais, pois: 
- Como ensinar “a conhecer” se nossos conhecimentos forem limitados? 
- Como ensinar “a fazer”, se desconhecemos os processos que levam à aprendizagem?
- Como ensinar “a ser”, se nossa inteligência emocional se mostra prejudicada? 
- Como ensinar “a viver junto”, se desconheço que nem sempre preciso concordar ou discordar das situações, mas simplesmente compreender? 
Ter conhecimento do funcionamento cerebral é entender como o conhecimento humano vem a se organizar, de que forma as emoções influenciam na aprendizagem, enfim postular aquilo que Sócrates já dizia: “Conhece-te a ti mesmo”. 
Como estamos na era da informação, o saber por si só não evidencia que somos bons educadores (aliás, esta afirmativa pode se fazer presente em qualquer profissão), o diferencial de hoje é justamente saber como transmitir o nosso saber, que mecanismos utilizar para que a aprendizagem realmente seja eficaz, pois como escrito antes, estamos na era da informação, mesmo o aluno com a menor idade que tiver, ao vir para o mundo escolar, ele já traz muitas informações agregadas a ele.
No entanto, existe algo a ser lembrado: “informação” não é “conhecimento”. E esse é o grande diferencial do educador, ele não é um ser somente de informação, mas ele sabe, ou deveria saber, “transmitir” o conhecimento.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Filósofos, físicos e a partícula de Deus

 
 
Seja na filosofia ou na ciência, sempre existiu a batalha entre razão e fé. É necessário que conheçamos cada teoria e tenhamos uma maior compreensão do universo. Com o atual avanço da tecnologia você prefere acreditar na ciência ou jamais abandonará a crença em um Deus criador de todo o universo?
f3r8skn95d5nbrjvkp34u0v2h.jpg ilustração da colisão de partículas

Tales de Mileto acreditava que a água era o elemento constituinte de todas as coisas, a origem de tudo que existe. Anaximandro de Mileto, discípulo de Tales, substituiu a água pelo Apeiron – algo que podemos chamar de ilimitado. O discípulo de Anaximandro, Anaxímenes de Mileto procurou no ar a o que seria a origem de tudo. Heráclito de Éfeso acreditava que tal elemento seria o fogo.
Inicialmente, o que muitos constatam é que parece algo sem nexo a opção por um ou outro elemento. Mas para os filósofos que viveram lá por volta de 645 A.C, era algo de vital importância para a compreensão do universo. Qual seria a substância que daria origem a todas as outras coisas do universo? Tales acreditou que seria água o constituinte de todas as coisas por ser esse líquido a origem da vida, além de poder mudar de forma em seus estados sólido, líquido e gasoso. Teríamos aí um filósofo materialista. Mas na atualidade procurar esse elemento é uma preocupação?

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Outro filósofo pré-socrático que também foi muito estudado foi Heráclito “o Obscuro”. Esse filósofo é considerado o maior pré-socrático. Ao contrário de Tales, Heráclito acreditava que a engrenagem do universo era nascer, batalhar, amar e morrer. Para o filósofo era o fogo o constituinte de todas as coisas. Esse fogo seria o processo acima citado. Ou, como alguns o denominem “energia”. Heráclito acreditava que as coisas estão sempre em movimento, em transmutação. “Tudo flui, nada é.” Teria dito Heráclito. As pessoas estão em constante transformação, assim como todas as coisas. Nada é imutável. Mas qual seria a teoria verdadeira sobre a constituição de todas as coisas do universo?

higgs-colisao-particula-620-size-598.jpg

Atualmente no mundo da física a maior possível descoberta, sem sombra de dúvida, é o “Bóson de Higgs”. O bóson de Higgs foi predito primeiramente em 1964 pelo físico Peter Higgs. O Leon Lederman escreveu um livro sobre tal partícula, com o título The Goddamn Particle, entretanto, a editora optou por colocar o nome The God Particle. O primeiro título sugerido nada tem a ver com Deus. Antes sua tradução seria: A partícula amaldiçoada. Mas por razões comerciais...
Mas por que Partícula de Deus? Porque essa partícula serital partícula a criadora de todas a matéria do universo. Procurada por mais de 40 anos na física, tla partícula só poderia ser opinada em teorias, por faltar tecnologia suficiente para os experimento. Mas agora a realidade é outra. Grande Colisor de Hídrons, ou LHC (termo utilizado em inglês) é um acelerador de partícula com extensão de 27 quilômetros debaixo da terra, na fronteira entre a França e a Suíssa
Agora a questão; não estamos tentando comprovar o que os antigos por limitações tecnológicas não foram capazes de comprovar? Na Grécia antiga, os gregos imaginaram que o átomo era a única partícula indivisível que constituiria todas as coisas. Durante séculos, o átomo foi considerado essa partícula indivisível. Pra época em que foi pensada a teoria, foi um grande avanço. Demócrito e Leucipo foram os inovadores.
E você? Acredita na ciência ou prefere a explicação do criacionismo?

Assistam um pequena introdução sobre tal partícula com o físico Marcelo Gleiser:

Parte 1 Parte 2 Parte 3 Parte 4 Parte 5


Artigo da autoria de Edivan Santtos.
"Por vezes as pessoas não querem ouvir a verdade porque não desejam que suas ilusões sejam destruídas." Vivi muitos anos assim, hoje reconheço minha fraqueza e miserabilidade. Ontem eu dormi, e não mais acordei. Hoje eu acordei e não mais dormirei..
Saiba como fazer parte da obvious.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Qual a diferença entre o psiquiatra, o psicólogo e o psicanalista?

por Nathália Braga
PSIQUIATRA

HISTÓRIA: Quando surgiram, ainda no século 18, os psiquiatras trabalhavam apenas em hospícios. Só quando a psiquiatria pegou emprestados conceitos da psicologia é que casos mais moderados foram para consultórios.

CASOS: Trata sintomas mais graves e de definição mais clara, como esquizofrenia, Alzheimer e depressões profundas.

COMO ATUA: Como nesses casos só a terapia é muito pouco, o tratamento é feito com remédios, sendo monitorada a reação que o paciente tem a eles.

FORMAÇÃO: Seis anos do curso de medicina, mais 3 de residência.


PSICÓLOGO

HISTÓRIA: O termo surgiu na Grécia antiga, mas seu significado moderno só veio no século 20.

CASOS: Há desde os psicólogos sociais, que estudam as massas, até os de RH, que selecionam candidatos, mas o que atende no consultório é o psicoterapeuta, que diagnostica casos de fobia ou ciúme excessivo, por exemplo.

COMO ATUA: Muda suas técnicas de tratamento constantemente, sempre em busca de uma interação com o paciente - daí a sua fama de tagarela entre psiquiatras e psicanalistas.

FORMAÇÃO: Cinco anos do curso de psicologia.


PSICANALISTA

HISTÓRIA: Teve origem no século 19, com o médico austríaco Sigmund Freud.

ATUAÇÃO: Medos, raivas, inibições - as anormalidades normais.

Como atua: Mais do que uma cura, o que se busca é a transformação da pessoa, a partir da compreensão dos seus problemas. O paciente fala tudo que vem à cabeça; cabe ao psicanalista interpretar de forma incisiva o que ele quis dizer inconscientemente, ajudando-o no autoconhecimento.

FORMAÇÃO: Especialistas dizem que só quem foi analisado pode analisar seus pacientes, e chega-se a passar 8 anos em cursos de sociedades psicanalíticas.


Fontes Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da USP e psicanalista; Suely Gevertz, psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

05/02/2013  
O mistério não é recente. No século 19, o médico Cesare Lombroso, fundador da Escola Italiana de Criminologia Positivista, propunha conexão entre a dominância da mão esquerda e uma evidência patológica de primitivismo e criminalidade. Os estudos do médico italiano chegaram a ser relacionados com os princípios das ideias de eugenismo na Europa. Canhotos foram chamados de feiticeiros e de doentes, e muitos não tinham coragem de se assumir, devido ao preconceito reinante então. Embora a ciência já tenha abandonado há tempo esses conceitos, a gênese da mão esquerda dominante segue um desafio para os pesquisadores.

O resultado dessa teoria de Lombroso e outras afirmações similares é que, no Brasil, assim como em outros países ocidentais, os canhotos eram mal tratados até meados do século 20. Muitas pessoas contam que eram vítimas de repressão e tinham a mão esquerda amarrada para que treinassem o uso da direita.
No século 18, o cientista, jornalista e diplomata Benjamin Franklin relatou, em um ensaio, as agruras sofridas pela mão esquerda e incitou a uma mudança de percepção dos educadores: "Me dirijo a todos os amigos da juventude e os convoco a direcionar sua compaixão ao meu destino triste para remover os preconceitos dos quais sou vítima". Ele assina o texto como se fosse a própria mão esquerda a sua autora, embora não se tenha provas concretas de que Franklin fosse de fato canhoto.
 
10% de canhotos
 
Atualmente, há muitas premissas positivas em relação aos que preferem usar a mão esquerda. O Instituto Francês de Esporte e Educação Física afirma que os esportistas canhotos, especialmente atletas de atividades individuais como esgrima e boxe, têm melhor desempenho.
O tema, no entanto, ainda é muito estudado e ganha contornos diferentes com o desenvolvimento de novas tecnologias de análise do cérebro. Mesmo assim, até hoje, ninguém sabe explicar por que há uma predominância tão grande de destros na sociedade. A população mundial é composta por apenas 10% de canhotos, segundo números da Organização Mundial da Saúde.
 
Teorias
 
A premissa patológica mais séria, ou talvez mais ofensiva, é de que os canhotos tenham sofrido sérios danos ao cérebro durante o nascimento. Porém a teoria, de autoria do pesquisador Stanley Coren, da Universidade de British Columbia, é contestada nos meios acadêmicos por não ter evidências suficientes e não apontar especificamente as causas genéticas.
Evidências do aumento da possibilidade de nascimento de canhotos estão em um estudo dinamarquês publicado em 2003. Os dados referem-se a um grupo de 834 mães daquele país e seus filhos de três anos. Os resultados mostraram que as grávidas que sofreram eventos traumáticos durante a gestação, como a morte de uma pessoa próxima ou demissão, tinham probabilidade praticamente quatro vezes maior de gerarem um filho canhoto.
 
Estudar o cérebro
 
A importância do estudo dos canhotos não é subestimada pela comunidade científica. As mais recentes pesquisas sugerem que descobrir por que há predominância de uma mão sobre a outra ajudará a descobrir detalhes sobre transtornos relacionados ao desenvolvimento do cérebro, como esquizofrenia, dislexia, déficit de atenção e hiperatividade. Segundo alguns estudos, esses transtornos são mais comuns em canhotos. Estima-se que cerca de 20% dos canhotos têm esquizofrenia, apesar de as causas permanecerem desconhecidas. Como todo o mistério que recobre o assunto, há pesquisas que relativizam essa tendência.
O professor de psicologia da Northwestern University Robin Nusslock explicou em entrevista ao Terra que canhotos são proibidos de algumas investigações neurológicas. "(Os canhotos) Não podem participar porque se sabe que o cérebro deles é diferente. Nas minhas pesquisas sobre desordens psicológicas e de humor, nunca um canhoto participou", revelou o especialista.
 
Os hemisférios
 
O córtex cerebral é dividido em dois hemisférios. Cada hemisfério é dividido em quatro lóbulos. Os lóbulos frontais direito e esquerdo desempenham diversas tarefas para a resolução de problemas e a organização de tarefas. Eles também controlam partes da fala e do movimento, incluindo o controle das mãos e a razão por trás das emoções. De maneira geral, o hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, e vice-versa. Por isso, o cérebro de um canhoto não é igual ao de um destro. Até que ponto se configuram as diferenças, não se sabe ao certo.
A divisão cerebral é muito complexa. Ao longo do século 20, estudos revelaram distinções básicas entre o lado direito do cérebro, responsável pelas emoções, e o lado esquerdo, responsável pela razão e pela lógica. Nos anos 1980 e 1990, no entanto, a dicotomia certeira passou a se esvanecer. As tarefas realizadas e coordenadas pelos dois hemisférios se misturam e interligam muito mais do que se imaginava.
Em seu livro Fantasmas do Cérebro, o neurocientista britânico V. S. Ramachandran sugere uma interpretação para o processamento dos impulsos sensoriais recebidos pelo cérebro: "A tarefa do hemisfério esquerdo é criar um sistema de crença ou modelo e categorizar as experiências nesse sistema... A tarefa do hemisfério direito é brincar de advogado do diabo, questionar o status quo e procurar inconsistências globais".
 
Sarcasmo
 
Muitas dessas descobertas ocorrem com pacientes que tiveram lesões em um ou outro lado do cérebro. Um exemplo se encontra no livro Left Stuff (Como os canhotos sobreviveram e tiveram sucesso em uma sociedade de destros, 2009, de Melissa Roth): "Se um paciente com uma lesão no hemisfério direito ouve alguém dizer 'Bom trabalho' em um tom sarcástico, ele pode ficar confuso e não interpretar corretamente o significado do comentário. Enquanto o hemisfério esquerdo pode processar significados literais da linguagem, ele precisa da parte direita para compreender elementos subjetivos do discurso, como a entonação.
 
O mistério continua
 
Em 2007, uma descoberta que causou certo alvoroço entre os especialistas foi a denominação de um gene chamado LRRTM1. Alguns chegaram a afirmar que esse gene era a raiz ou o principal fator para uma pessoa nascer canhota. Contudo o pesquisador Clyde Franks disse, em entrevista ao Terra, que isso não é exatamente assim. O professor visitante de Oxford revela que o gene é apenas um aspecto importante do funcionamento do cérebro. "O LRRTM1 é apenas o fator que sabemos que é de maior contribuição. Esse gene afeta a assimetria do cérebro, uma das causas de esquizofrenia e mudanças bruscas de comportamento", explicou.</P>

Ele afirmou também que sabemos ainda muito pouco sobre a biologia dos canhotos e que levará tempo até chegarmos a uma descoberta definitiva. "Nada sobre os processos moleculares é entendido. Se começa por aí. O que sabemos é que temos uma tendência muito maior a sermos destros, e ser canhoto é uma variação do padrão genético humano", relatou Francks.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Desabafar é bom

O alívio de falar de si mesmo está relacionado a ativação de estruturas cerebrais de recompensa

Suzana Herculano-Houzel
 
 
Gonçalo Viana

Ah, como é bom ter para quem contar as coisas. Outro dia cheguei em casa com fumacinhas saindo da cabeça, tamanha minha irritação com questões variadas no trabalho, que vim remoendo no caminho. Se meu marido não estivesse em casa, eu teria continuado insistindo mentalmente no assunto por um bom tempo, e só me irritando mais.

Mas não: ele estava aqui, e me ofereceu seus ouvidos e comiseração. Era tudo de que eu precisava: uma oportunidade para meu cérebro finalmente executar o longo programa motor que ele vinha montando havia horas, desfiando e revisando minhas misérias do dia, e botar tudo para fora, em palavras, para então poder sossegar.

Por isso segurar um segredo dá tanto trabalho – e por isso contar é tão bom. Preocupações, assim como segredos, são representações mentais angustiantes, aflitivas, que levam à ativação de uma estrutura do cérebro especializada em antecipar problemas, o córtex cingulado anterior. Ativado, ele, por sua vez, dispara uma série de alarmes, parte da resposta ao estresse da preocupação, que deixam tanto corpo como cérebro tensos. Além disso, já que o cérebro sabe colocar seus pensamentos em palavras, ficamos remoendo a preocupação ou o segredo, ensaiando mentalmente sua versão motora, produzida pela boca. Mas, sem ter com quem desabafar, ou para quem contar, esse programa motor fica só na vontade, e não sai. E assim tem-se um cérebro cada vez mais aflito, que tem de fazer força cognitiva, atenta, para segurar ativamente suas palavras.

Por isso colocar tudo para fora é tão bom: assim o programa motor tão ensaiado é executado e não precisa mais ser segurado pelo seu córtex pré-frontal; assim o cingulado anterior pode soltar um “Ufa!” e desligar os alarmes que ajudavam o resto do cérebro a manter o controle.

Essa é uma das razões pelas quais a psicoterapia pode ser tão boa: o simples desabafo. Claro, amigos, parentes, padres, e às vezes até a pobre da pessoa sentada ao seu lado esperando o ônibus também servem quando tudo o que se precisa é uma oportunidade para despejar as preocupações em palavras.

Falar da gente mesmo é muito bom. Um estudo recente da Universidade Harvard mostrou que, tendo opção entre responder perguntas sobre os gostos e hábitos dos outros, sobre simples fatos, ou sobre si mesmos, os participantes preferiam falar do próprio umbigo – e até pagavam para escolher esta alternativa, e de dentro de um aparelho de ressonância magnética, onde só os pesquisadores viam suas respostas. A preferência por falar de si mesmo está relacionada a uma maior ativação das estruturas do sistema de recompensa, o que gera prazer.

Funciona mesmo quando segredo completo é garantido. Mas, seres sociais que somos, a ativação do sistema de recompensa é especialmente alta quando os voluntários sabem que suas respostas serão ouvidas pelo acompanhante que eles levaram para o estudo. Falar de si é bom, mas falar de si para os outros é melhor ainda.

Não é à toa, portanto, que a liberdade de expressão pessoal e de opinião é altamente valorizada. Não se trata apenas de um construto social ou cultural: o prazer de expressar seus próprios pensamentos e estado de espírito é real, mensurável, e vem lá dos cafundós do cérebro. E quando os próprios pensamentos são aflitivos, o desabafo ainda é um alívio só.

Uma ressalva, contudo: pelas mesmas razões, ficar revisitando e remoendo um mesmo problema meses a fio, ao longo de sessões e mais sessões de terapia, muitas vezes é um tiro no pé. É preciso saber deixar o problema ir embora. (05/02/2013).

LEIA MAIS:

Falar de si mesmo é mais prazeroso que ganhar dinheiro

Fernanda Montenegro fala da dor de ver sua geração morrer e critica idealização da infância

O monitor mostra uma senhora de cabelos grisalhos disparando ironia para a atendente de um laboratório de análises clínicas: "Essa coisa de melhor idade é pra vender pacote de turismo pra velho". "Corta! Excelente", grita o diretor Jorge Furtado.
*
A fala da personagem dona Picucha em "Doce de Mãe", especial de fim de ano da Globo, cabe perfeitamente na boca de sua intérprete. Aos 83 anos, Fernanda Montenegro endossa o texto. "Não me diga que ter de 80 para 90 anos é a melhor idade. É demagogia", diz ela à repórter Eliane Trindade.
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Senhora do seu tempo, a atriz põe na balança os prós e contras dos muitos anos que carrega. "O mais difícil é saber que você está na fase definitivamente conclusiva da vida. É melhor encarar."

Fernanda Montenegro grava especial de fim de ano


Adriano Vizoni/Folhapress
 
A atriz Fernanda Montenegro em um hotel de Porto Alegre
A finitude bate à porta a cada perda, a começar pelo companheiro de 60 anos de vida, Fernando Torres. "A coisa mais dolorosa pela qual tenho passado é ver a minha geração morrer. Nos últimos cinco anos, morreram, além dele, Paulo Autran, Raul Cortez, Gianfrancesco Guarnieri, Renato Consorte, Sérgio Viotti, Sérgio Brito, Ítalo Rossi e Millôr Fernandes."
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Ela se emociona ao concluir: "Você olha em volta e a sua memória está ligada a todo esse mundo que se vai. É muito forte". Na lista de baixas recentes, tem ainda Hebe Camargo que, como ela, nasceu em 1929. "Vivemos o mesmo período da história. Quem substitui? Ninguém."
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Mora só desde que ficou viúva, em 2008. "À noite, eu fico sozinha, não tenho empregada nem dama de companhia." Não se habituou à ausência de Fernando. "É estranho. Ainda acho estranho, mas não tem solução."
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Teme a solidão? A resposta requer tempo: "Essa palavra é tão forte"¦ Eu gosto de estar só. Não que goste de solidão. A minha não é vazia".
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A exemplo de outros "oitentões" atuais, a atriz é bastante ativa. "Tenho uma vida intensa, viajo muito a trabalho." Acabou de filmar o longa "O Tempo e O Vento", também no Sul, e já anda às voltas com a nova peça, um texto sobre a vida de Nelson Rodrigues que pretende levar aos palcos em 2013.
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"Mas sinto que meus filhos se preocupam", admite. Ela é mãe da atriz Fernanda Torres, 47, e do cineasta Cláudio Torres, 49. "Quando toca o telefone e não atendo logo, um telefona pro outro, que telefona pra produtora, que telefona pro secretário. E eu só estava no banho. Como amor de filho, isso me toca."
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Dona Picucha foi escrita para a atriz. Os quatro filhos da personagem se veem às voltas com o dilema: Quem vai cuidar da mamãe? "É inevitável. A velhice chega, os filhos têm suas vidas, suas casas e suas necessidades. Há uma preocupação de que é preciso dar atenção à famosa terceira idade. É um desassossego para os dois lados."
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O drama é contado com humor. No set, a prole de Pichuca --os atores Marco Ricca, Louise Cardoso, Mariana Lima e Matheus Nachtergaele-- discute um revezamento para cuidar da idosa. Estão no hospital, onde a mãe foi parar após uma bebedeira. "É uma coisa bem rara na idade dela: um porrão", explica a primogênita vivida por Louise. A cena vai ao ar no dia 27.
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"Os quatro filhos da Picucha não são diferentes de nós. Eles têm que levar a própria vida, que não deixa mais espaço para se cuidar dos velhos", constata Matheus.
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O diretor conta que o papel foi escrito para Fernanda. "É uma mulher da idade dela, que não fez plástica para tentar ficar 'forever young'." Fernanda agradece: "Picucha é uma mãe e avó que aceita, com humor, o tempo vivido".
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Nada de luz especial ou maquiagem para atenuar marcas na tela. "Do ponto de vista interpretativo é um relax. Os empapuçados dos meus olhos ajudam a personagem." Em um comercial de banco em 2010, a atriz foi rejuvenescida com Photoshop.Na vida real, nunca pensou em fazer lifting. "É de temperamento. Se você quiser tomar banhos de cirurgias plásticas, ótimo. Há quem fique feliz em ir se esticando pela vida, às vezes, com resultados extraordinários. Perdi esse bonde. Quem me quiser, tem que me querer com meus papos, minhas rugas."
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Nas filmagens de "O Tempo e O Vento" embranqueceu o cabelo. "Se parasse de representar, e eu não penso nisso, deixaria meu cabelo branco sem problema. Se me der na veneta, não pinto mais."
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Da mesma forma que não idealiza a velhice, não o faz com a infância. "Criança sofre muito. É todo um processo de civilização, de coerção e de enquadramento em cima delas. E isso é uma agressão violenta", diz. "Quando ouço alguém dizer que a infância foi a parte mais feliz de sua vida, olho com muita desconfiança. Deve ter sido tão terrível que nem se lembra."
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A avó Fernanda é presente, quando possível e sem culpas, na vida dos três netos. "Estamos juntos nos aniversários, aos domingos, quando se consegue. "
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Não tem e-mail. "Ainda gosto de escrever à mão. Não me iniciei nesse mundo de Facebook, internet. Acho fantástico. As fronteiras acabaram. É o ser humano solto, indomável." Usa minimamente o celular. "Se ele puder ficar desligado, prefiro."
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Sem saudosismo. "Não vivo no passado." É só elogios à nova versão de "Guerra dos Sexos", onde aparece em retratos ao lado de Paulo Autran. "Foi a única vez em que trabalhamos juntos, uma dupla que se fez muito feliz." Ela ressalta não se tratar de "remake". "É outra brincadeira. O elenco é espetacular."
*
Fala com orgulho da geração de sua filha. "É um grupo de atrizes extremamente talentosas e poderosas, com uma folha de serviços de quem não está brincando na vida. Isso dá uma visão imorredoura da profissão."
*
Volta a se emocionar ao falar de legado: "Nada é mais importante do que meus filhos e netos. Eles justificam a minha vida. Algo meu vai estar lá no fim deste século. Se eles procriarem, parte minha restará pelos milênios afora. Penso muito nessa cadeia de seres que foram se sucedendo e chegaram até mim. Não parei a corrente".
*
Para encerrar a conversa no café do lobby do hotel em Porto Alegre, onde se hospedou nas três semanas de gravação, ela recusa o título de "a grande dama do teatro e da tevê". "Isso é bobagem, um resquício do século 19. Como estamos no século 21, e já se passou um século inteiro, deram uma acalmada nisso." 

Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.