Carreira Profissional
Como você será promovido na próxima década?
Monster - quarta-feira, 4 de julho de 2012
Recebemos o professor Joel Dutra,
entre outros destaques, coordenador do MBA da FIA em Gestão de Pessoas, eleito
recentemente um dos “oito gurus” em gestão de pessoas pela revista Você RH em
um evento do Monster dedicado aos profissionais de RH. Entre os muitos desafios
colocados para a organização das empresas para a próxima década, Dutra falou
que os organogramas devem ser extintos, assim como estruturas piramidais de
empresas.
Isso porque a complexidade trazida pelas
novas tecnologias e a competitividade não comportam mais modelos fechados de
cargos e salários. Cada vez mais profissionais qualificados devem trabalhar por
projetos, interagindo com diversas áreas e equipes, em uma dinâmica muito mais
horizontalizada e colaborativa. Por isso mesmo, fixar suas responsabilidades e
limites será cada vez mais difícil. E ineficiente.
“Os profissionais e sua remuneração serão
avaliados pela sua capacidade de lidar com assuntos complexos, pela sua
capacidade de abstração”, argumentou sobre a tendência o renomado acadêmico. Já
existem pesquisas para afinar esses indicadores para mensurar o grau de
abstração de um profissional para que ele gerencie soluções dentro das
empresas.
E aí contou um caso excepcional. Uma
pesquisadora americana fazendo um trabalho para uma mineradora sul-africana
descobriu nos testes e entrevistas que um mensageiro da empresa possuía um grau
altíssimo de abstração. “Mas como, se sua atividade era simples, estava muitos
anos na empresa, não havia sido promovido e não tinha alto nível de
escolaridade?”, questionou o professor.
Investigaram junto ao mensageiro se ele
possuía alguma atividade fora da empresa que lhe tivesse agregado essa
capacidade de lidar com complexidades. Não tinha. Depois de algum tempo,
descobriram que se tratava de um agiota dentro da mineradora, com vários
funcionários trabalhando nas diversas áreas da companhia para ele. Um banqueiro
informal.
Nesse sentido, Joel Dutra destacou que um
profissional pode aumentar sua capacidade de lidar com essas complexidades
sendo estimulado a novos desafios. A cada superação, terá aberto um leque de
novas informações, problemas e soluções.
Sobre os aspectos geracionais, o coordenador
do MBA da FIA destacou que o diferencial da geração Y é sua forma de
aprendizado, “epidérmica”. “Se existe algum problema, esse jovem não percorre
todo o caminho do processo, ele desmonta tudo e constrói um novo”, disse. Mas
nem por iss0 baby boomers e profissionais da geração X serão descartados.
“Caberá a eles fazer o papel de mentoring, de mostrar e preparar a cultura e os
valores da empresa, trazer sua experiência para amadurecer esses novos
talentos”. E isso também por uma questão demográfica: haverá muito mais geração
X no mercado de trabalho do que Y em poucos anos.
Resta-nos agora entender esses futuros
indicadores e aceitar novos desafios. Estar preparado para ser avaliado pelo
nosso grau de executar tarefas complexas. Bye bye, organogramas, que venham
indicadores mais reais e justos para a próxima década!
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