- Por Ramatís -
Há um constante conflito entre o homem interior e o mundo exterior;
entre seus ideais e a necessidade de sobreviver; entre seus sonhos e a
realidade.
Entre a fantasia e a realidade, existe um limite onde são forjados os
sonhos. Dependendo do engendramento desses sonhos, o ser humano pode
ser fortalecido ou enfraquecido, alertado ou distraído, conscientizado
ou obnubilado.
Aparentemente, dormir é como morrer, já que, tanto no sono como na morte, o véu da inconsciência envolve o ser humano.
O corpo físico permanece inconsciente durante o sono porque a consciência projetou-se naturalmente para fora dele.
Em termos reais, é uma mini-morte, não física, mas consciencial, pois
a maioria dos seres humanos sai do corpo de maneira inconsciente ou
semiconsciente. Assim, os homens são totalmente envolvidos pelas idéias
oníricas que acabam por influenciá-los, de maneira positiva ou negativa,
durante a vigília física normal.
Enquanto as consciências encarnadas no plano físico não se esforçarem
para melhorar sua lucidez, física e extrafísica, a Terra continuará
sendo um imenso "dormitório espiritual", suspenso no espaço sideral.
Durante a vigília física normal, os seres humanos são dominados pelos
impulsos emocionais, oriundos da falta de controle do corpo emocional (psicossoma), e pelas lentas vibrações do cérebro físico que restringem e amortecem o corpo mental (1).
Durante o sono, esses mesmos seres humanos libertam-se
temporariamente do restringimento físico, mas não se libertam do
emocionalismo que lhes caracteriza a existência e nem da cobiça e
orgulho que os fazem brigar entre si constantemente.
Envolvida pelas formas-pensamento (2), oriundas do descontrole mental
manifestado na vigília física normal, a grande maioria das consciências
encarnadas permanece flutuando acima do corpo físico, lidando com os
assuntos triviais do seu dia-a-dia.
Algumas pessoas conseguem afastar-se do corpo físico, buscando,
inconscientemente, emoções fortes e vibrações densas que tenham
afinidade com seu padrão espiritual. São verdadeiros "sonâmbulos
espirituais", que muitas vezes são atraídos automaticamente para os
ambientes onde movimentam-se durante o dia ou para certas áreas do plano
astral inferior bastante densificadas vibratoriamente, onde são
vampirizados energeticamente por obsessores desencarnados que
aproveitam-se da situação. Ao despertarem assustadas no físico, essas
pessoas pensam que foram vítimas de um pesadelo.
Durante o dia, os encarnados arrastam-se pela vida, motivados por
interesses mesquinhos e egoístas, brigando e matando uns aos outros como
se fossem feras indomáveis.
Durante a noite, projetam-se espontaneamente e ficam a sonhar fora do
corpo. Na verdade, é como se não estivessem projetados, pois estão
totalmente inoperantes para o plano astral.
Seu psicossoma (3) está fora do corpo físico, mas sua consciência continua agrilhoada aos valores do plano físico.
Nos planos extrafísicos próximos ao plano físico, também encontramos
multidões de pessoas em estado lastimável de semiconsciência. São os
desencarnados que encontram-se sonambulizados astralmente após a morte.
São verdadeiras legiões de zumbis espirituais envolvidos nas
formas-pensamento engendradas durante a vida física pelo descontrole
mental e emocional em que viviam. Dentro do monoideísmo espiritual em
que se encontram, alguns pensam poder ressuscitar o cadáver e, assim,
tornar a viver no plano físico. Outros sentem a falta das vibrações
densas e pesadas do corpo humano. Outros, ainda, sentem dores atrozes
devido à morte violenta que sofreram ou choram as oportunidades perdidas
e a saudade dos familiares que ficaram encarnados.
Se todas essas pessoas tivessem aprendido a projetar-se
conscientemente para fora de seu corpo humano durante a vida física,
provavelmente não estariam nessa situação, pois teriam compreendido que a
morte é apenas a passagem da consciência para outro plano. É
simplesmente uma projeção final, da qual não se retorna mais para o
físico. A adaptação ao plano extrafísico seria tranqüila, pois o
meio-ambiente astral lhes seria familiar pelas visitas feitas
anteriormente através das projeções.
Assim, observamos bilhões de consciências encarnadas e desencarnadas
anexadas, mental e emocionalmente, apenas à realidade humana, totalmente
bloqueadas para outras realidades extrafísicas.
A inconsciência e a semiconsciência imperam absolutas no reino
humano. Isso pesa bastante na economia espiritual do planeta, que
poderia ser considerado não só como um "dormitório espiritual", mas
também como um "manicômio consciencial", situado em pleno espaço
sideral, em um pequeno sistema solar inserido dentro da Via Láctea, logo
ali (ou aqui), na esquina do Universo.
Enquanto o ser humano não descobrir o que acontece consigo mesmo
durante o sono e não aproveitar seu potencial nessas horas ociosas,
estará morto para a realidade existente em outros planos. Estará iludido
pelos valores limitados que a vida humana lhe oferece. Urge que cada
consciência aperceba-se da necessidade de vislumbrar outros planos de
existência e neles adquirir força e conhecimento para não deixar que o
véu de Maya (4) lhe bloqueie as percepções e distorça seus pensamentos.
Se cada consciência encarnada melhorasse sua lucidez extrafísica (5)
durante a projeção, que ocorre naturalmente todas as vezes que seu corpo
físico adormece, provavelmente teríamos uma manifestação mais
equilibrada no plano físico. Assim, talvez esse nosso planeta louco
deixasse de ser um "manicômio consciencial", podendo ser transformado ao
menos em um "hospital decente".
Paz e Luz!
(Recebido espiritualmente por Wagner Borges - Texto extraído do livro "Viagem Espiritual - I" - Editora Zennex - 1993.)
- Notas:
1. Corpo mental - é o veículo de manifestação pelo qual a consciência
se manifesta usando os atributos da inteligência (intelecto, intuição,
memória, imaginação, e outros); mente; corpo do pensamento.
2. Formas-pensamento- são as formações mentais modeladas e
organizadas pelo pensamento e a imaginação; formas mentais; formas
ideoplásticas.
3. Psicossoma - veículo de manifestação pelo qual a consciência se
manifesta no plano extrafísico; corpo astral; perispírito; corpo
espiritual; astrossoma; corpo dos desejos; corpo psíquico; corpo
emocional; corpo fluídico; corpo sutil; duplo astral.
4. Maya - do sânscrito - ilusão; tudo aquilo que é mutável, que está sujeito à transformação por diferenciação.
Obs.: Como um excelente complemento a esses esclarecimentos projetivos de Ramatís, posto na sequência um excelente texto do meu amigo Enki, professor de Yoga e pesquisador das experiências fora do corpo.
A PROJEÇÃO DA CONSCIÊNCIA E A BUSCA PELA LUCIDEZ
(Essa matéria foi publicada na edição especial sobre "Viagens Fora do
Corpo" - da Revista de Espiritismo Cristão - Ano 2 - Número 7 - Janeiro
de 2003 - Editora Vivência. Aqui o texto está na íntegra, sem os cortes
normais de edição de uma revista, e com notas de rodapé adicionais.)
- por Enki -
Um dos pontos mais buscados dentro do estudo da projeção da consciência (1) é a lucidez extrafísica.
A Projeção da consciência é caracterizada pela presença de três estados distintos de lucidez consciencial. São eles:
a) Inconsciência ou total falta de lucidez - No estado de
inconsciência, geralmente, "dormimos" acima do corpo físico, ficando
presos à cúpula de energia que envolve e protege o corpo físico durante a
projeção (2). No entanto, em alguns casos, nosso corpo espiritual (3)
pode se dirigir ao local, pessoa ou atmosfera psíquica em que estávamos
sintonizados nos momentos anteriores ao sono. É possível para o projetor
consciente ver o corpo extrafísico de encarnados flutuando à deriva.
b) Semiconsciência ou lampejos de lucidez - É caracterizado pela
retomada esporádica da lucidez. Em muitos casos, um estado de torpor
toma conta do projetor e esse não consegue identificar com clareza o que
acontece com ele, como se estivesse embriagado. O processo de saída ou
volta ao corpo nem sempre é percebido. Geralmente retomamos a lucidez no
meio da projeção.
c) Consciência ou lucidez: O estado de total lucidez é caracterizado
pelo total controle dos processos projetivos pelo praticante, onde esse
interage "conscientemente" com o meio onde se encontra projetado.
Mas o que é lucidez realmente?
O que é estar lúcido?
De maneira geral chamamos de lucidez o estado mental onde percebemos a
nós mesmos e o ambiente ao redor e interagimos com os objetos
exteriores à nossa mente. É quando o senso de "EU" está presente e
ativo.
Esse sentido de Eu ou Ego é o principal agente na obtenção da
lucidez, seja ela física ou extrafísica, pois ele é o intermediário
entre as percepções captadas pelos órgãos dos sentidos, levando-as ao
contato com o princípio inteligente que interpreta essas percepções,
transformando-as em sensações.
Portanto, é importante ter a certeza de que o Ego, muitas vezes
criticado pelas correntes espiritualistas, é extremamente importante
para o crescimento espiritual, pois se usado corretamente pode se
transformar em aliado poderosíssimo.
Ramakrishna (4), sábio hindu que viveu no século XIX,
costumava dizer que, se ainda não era possível aniquilar o senso de Eu,
que seria interessante usá-lo ao nosso favor.
Mas como fazer isso?
De maneira a analisar o nosso Eu, nós temos que começar analisando os
objetos dos sentidos e a suas relações com o corpo material.
Nós possuímos cinco sentidos de percepção mais a mente que processa
essas informações. Esses cinco sentidos são portas pelas quais nosso ego
individual entra em contato com o mundo exterior.
Através das vibrações recebidas pelos objetos exteriores é que construímos a nossa realidade.
Tomaremos como exemplo a percepção das cores.
Através dessas vibrações nós vemos cores diferentes nos objetos e a
visão dessas cores vem através de vibrações especificas que entram em
contato com os nossos globos oculares e é através dos globos oculares
que essas vibrações são focadas, e então é produzida uma imagem
invertida nas retinas.
Nós não estamos cientes dessa imagem invertida, mas essa imagem
invertida, seja de uma cadeira ou de qualquer outra coisa, produz certas
mudanças nos nervos óticos. As vibrações captadas pelos nervos óticos
são levadas pelas células do cérebro e uma nova mudança ocorre, e essa
mesma vibração é traduzida pelo Ego em sensações. Ego é o agente do
princípio inteligente, da Consciência ou Em Si do ser.
Se essas vibrações não forem traduzidas em sensações por um princípio consciente, elas permanecerão apenas como vibrações.
As que são traduzidas como percepções se transformam em sensações e
outro processo mental se desenrola e essas percepções serão
transformadas ou convertidas em conceitos.
Sendo assim, se eu fechar meus olhos e pensar em uma cadeira, estarei
desenhando uma forma mental da mesma cadeira. Isso é um conceito.
Você tem a forma ou conceito da cadeira, e a chama de cadeira e
quando você vê algo semelhante a uma cadeira, você compara isso com o
seu conceito de cadeira. Se isso não for semelhante ao seu conceito,
você a chama de qualquer outra coisa. Esse mesmo processo é usado para
formar conceitos sonoros (ex.: o som de uma bateria, de um carro, ou de
um rojão).
Mas essas percepções só se tornarão sensações se houver um princípio inteligente operando nos bastidores.
Um corpo sem vida pode estar com os órgãos dos sentidos em perfeito
estado, mas mesmo assim não irá produzir sensações, pois o princípio
inteligente já não está mais presente.
Esse processo analítico é muito importante para o conhecimento das
operações do Eu. Quando nós despertamos para essa análise, tentamos
traçar a causa da sensação e, feito isso, estaremos aptos para descobrir
o objeto causal das percepções e das sensações. Para isso um novo
processo mental se desenrola e a mente tenta traçar a sua causa. Não são
os órgãos dos sentidos que tentam traçar a causa, mas sim a mente
inteligente.
Então nós projetamos nosso conceito de nossa mente para o exterior e
pensamos que alguma coisa produziu a sensação. E assim nós identificamos
a cadeira como cadeira. Mas de fato nós nunca vimos uma cadeira.
Isso parece estranho, não é mesmo? A cadeira não existe? Ao que tudo
indica, parece que isso é verdade. Nós não podemos ver a cadeira externa
e nós apenas podemos ficar conscientes da sensação. Tentarei explicar
essas afirmações nas linhas abaixo.
O que vemos é produto de nossa carência emocional.
A Consciência emana a todo instante sentimento em todas as direções.
Essa emanação é fruto da carência de perceber a si mesma.
O primeiro plano onde essa carência se manifesta é o plano mental
(lembrando que aglutinamos os sete planos em apenas três). Se nesse
plano a minha emanação de sentimento encontra resposta, ela volta à
consciência e a mesma se torna mais sábia. Se isso não ocorre, mais
energia é empregada e a minha consciência se manifesta no plano astral. O
processo se repete e se minha carência não for preenchida, mais energia
é empregada e eu me manifesto no plano físico.
Encarnamos para satisfazer nossas carências e, assim, nos tornarmos
consciências mais completas, sábias. A manifestação física é baseada na
interação dos cinco sentidos e da mente com os objetos com que nos
relacionamos. Os nossos sentidos estão captando vibrações dos objetos a
todo instante e a nossa relação com esses objetos tem como objetivo nos
tornar mais completos, plenos. Quando os nossos sentidos interagem com
os objetos uma sensação é produzida e essa sensação deixa uma impressão
na nossa mente. Essa impressão nós chamamos de prazer e pode ser
dividida em "gosto" e "desgosto".
A impressão deixada fica adormecida, latente até que ela encontre as
condições favoráveis para se manifestar novamente. Mas o que buscamos de
fato? Qual é o objetivo real de nossas buscas? Felicidade.
Queremos nos sentir, livres, plenos, absolutos, completos. Quando nos
relacionamos com um objeto, seja uma cadeira, um chocolate, ou qualquer
outra coisa, buscamos nessas relações a satisfação de nossa carência de
ser feliz e pleno. Nesse processo temos a oportunidade de perceber que
os prazeres, a suposta felicidade originada dessas relações, são
efêmeros, logo se esvaem, e rapidamente estaremos transportando nossa
busca para outro objeto. Infelizmente, na maioria das vezes, nós não
estamos conscientes desse processo.
Nós entramos em contato com muitos objetos, mas só ficamos
conscientes de uns poucos. No entanto, todos os objetos com os quais os
órgãos dos sentidos entram em contato modificam a mente, deixando
impressões, que podem ser subconscientes ou subliminares.
Quando converso com alguém, o meu foco principal de atenção é a
pessoa. No entanto, os meus órgãos dos sentidos estão trabalhando em
conjunto com a minha mente e me dizendo se a roupa da pessoa me agrada
ou não, se a voz dela me agrada ou não, se as cores do ambiente me
agradam ou não, se os sons me agradam ou não, e por aí vai...
Todas essas relações são armazenadas na mente e separadas baseadas na
relação de gosto e desgosto que temos com elas. Nossa mente é como um
lago, onde a superfície representa a relação mente/objeto de forma mais
direta. O fundo do lago representa as impressões captadas pela mente e
que estão "adormecidas", em sua forma latente. É o que chamamos de
subconsciente. Mas algumas vezes a superfície do lago se agita,
revolvendo os detritos do fundo do lago, levando-os para a superfície.
Da mesma maneira, quando surge um momento propício, informações de nosso
subconsciente "sobem" para a mente consciente. Isso ocorre o tempo
inteiro e nós nem percebemos.
Por exemplo: nesse exato momento, algumas pessoas que estão lendo
esse texto podem estar balançando o pé, ou então, balançando o corpo.
Por quê?
Porque certa música surge em minha mente de uma hora para outra, "sem
mais nem menos"? Qual o estímulo que me levou a balançar o pé ou
colocar a mão no queixo? Estou ciente disso? Geralmente não, mas os
impulsos existiram e são possíveis de se descobrir com o uso do
discernimento.
Esses são exemplos de sensações do subconsciente que se tornam
objetos de nossa mente "consciente" sem que percebêssemos o processo.
Muitas de nossas ações "conscientes" são, na verdade, frutos de
estímulos de nossa mente subconsciente que "vem à tona" na mente
consciente. Sabendo desse processo, pergunto: Estamos lúcidos? Não.
Temos momentos de lucidez. Tanto dentro como fora de nosso corpo físico.
O estudante espiritualista costuma dividir o Homem em três corpos: o corpo mental, o corpo astral e o corpo físico.
Aceitamos o fato de que o corpo mental é "mais rápido" do que o corpo
astral, e que o corpo astral é "mais rápido" do que o corpo físico.
Pensar (mental) é mais rápido do que sentir (astral), que é mais rápido
do que a ação física. A percepção consciencial no nível mental é
extremamente difícil, pois as emanações são extremamente sutis. Essas
vibrações sofrem uma densificação no plano astral, mas mesmo assim ainda
são rápidas para nossa percepção consciencial. A manifestação no plano
físico é a mais densa e mais lenta das três, mas ainda é rápida para
nossa manifestação consciencial atual.
Todas essas manifestações ocorrem em seus mais variados graus, não
sendo algo estático ou pré-definido. Do mental ao astral há infinitas
gradações, e do astral ao físico também, pois uma manifestação
consciencial nunca é igual à outra. Para ilustrar melhor o que foi dito
acima, usaremos o simples exemplo de comprar uma maçã.
No plano mental, se desejo uma maçã, instantaneamente surge uma para
mim. Eu fiquei mais sábio com isso? Não, foi tão rápido e eu sou tão
imaturo que não assimilei o processo, pois ele carecia de algo com o
qual eu me identifico muito: emoção.
Já no plano astral, com um pouco de concentração a maçã se forma em
minhas mãos. Isso requer mais tempo que a manifestação mental, mas mesmo
assim é muito rápido se comparado ao plano físico. Fiquei mais sábio
com essa manifestação astral? De maneira geral, posso dizer que não. A
experiência ainda é muito rápida e eu, imaturo que sou, não compreendi
os processos. Percebo apenas um traço da experiência, pois já há a
emoção presente no processo.
No plano físico, para eu ter a maçã eu preciso comprá-la (na maioria
das vezes, mas esse exemplo também serve para aquele que apanha a maçã
da árvore). Para comprá-la eu preciso de dinheiro. Para ter o dinheiro
eu preciso trabalhar; para trabalhar preciso de uma profissão; para
exercer a profissão, preciso de uma qualificação; para ser qualificado
preciso ter estudado, e por aí vai...
A quantidade de ações que eu tive que desenvolver para poder ter a
maçã me colocaram em diversas experiências, e são essas elas que podem
me deixar mais sábio. No entanto, nem sempre nos tornamos mais sábios.
Por quê? A interação com a maçã produz em nós uma modificação emocional
(o prazer - gosto e desgosto) e essa identificação emocional é tão forte
que tolhe a percepção direta da Consciência.
Será que o plano físico é muito rápido para nós? Parece que sim. Se
não o é, por que repetimos os mesmos erros várias vezes? Por falta de
atenção nessas interações e pelo nosso descontrole emocional (parecemos
macacos indo de galho em galho, ou de desejo a desejo), estamos cada vez
mais enraizados no ciclo reencarnatório.
O nosso corpo astral é a sede de nossas emoções, portanto, o controle
emocional é uma das chaves para a lucidez. Entendendo as nossas
relações com os objetos (e no nosso estudo tudo é objeto e nós somos o
sujeito), estaremos nos tornando cada vez mais lúcidos, despertos e essa
lucidez se refletirá fora do corpo físico. O que me adianta buscar a
lucidez astral se não consigo controlar a minha raivinha durante o
trânsito da cidade?
O nosso corpo físico funciona como um freio, pois ele nos permite
perceber as emanações emocionais com mais clareza. Mesmo não dando muita
importância para elas, ou nem mesmo percebendo-as, elas existem. E são
essas variações emocionais que causam a falta de lucidez, seja ela
física ou extrafísica.
O que somos aqui não é diferente do que somos fora do corpo. Somos um
só. No entanto, os meios onde me manifesto são diferentes. O corpo
físico obedece a leis naturais específicas do plano material e o corpo
astral obedece às leis naturais específicas do plano astral. Nada é
místico ou esotérico, mas sim natural e passível de investigação,
entendimento e controle.
Sair do corpo não é privilegio ou dom. É um processo natural que
envolve muita responsabilidade, assim como estar no corpo. A busca pela
lucidez não é - ou não deveria ser -, uma exclusividade dos projetores
ou estudiosos da projeção astral (5). Ela é a chave para o processo de
iluminação, de despertar. Nossa felicidade não está condicionada a uma
mudança de plano. O paraíso é portátil, está dentro de cada um de nós. O
inferno também, se assim quisermos.
Estar encarnado é oportunidade de experiência, de crescer e ter a
chance de compreender os processos da Existência. Dentro ou fora do
corpo o importante e estar lúcido, e a busca pela lucidez é um ato de
amor de nós a nós mesmos e ao mundo.
- Nota: Enki é o pseudônimo de Luiz Fernando Mingrone, professor de Yoga do IPPB - formado pelo Shivananda Institute of Yogic Studies, com sede em Rishikesh, Índia.
Possui mais de dez anos de experiência no ensino das filosofias do
Yoga, Tantra e Vedanta. É pesquisador e ministrante de cursos e
palestras sobre espiritualidade oriental. É o orientador do ESULC -
Espaço Universalista Luz da Consciência, onde ministra cursos sobre
Tantra, Yoga, Meditação, Projeção Astral, e Bioenergia, dentre outros. É
um dos maiores estudiosos do Hinduísmo no Brasil.
Para mais detalhes sobre o seu trabalho, ver sua coluna na revista on line do nosso site - www.ippb.org.br
- Notas do texto (por Wagner Borges):
Para facilitar o entendimento dos leitores, peço permissão ao Enki
para colocar algumas notas explicativas sobre algumas expressões
projetivas.
Vamos a elas.
1. Projeção da consciência - É a capacidade parapsíquica (inerente a
todas as criaturas) que consiste na projeção da consciência para fora de
seu corpo físico; viagem astral (Ocultismo); projeção astral
(Teosofia); projeção do corpo psíquico (Ordem Rosacruz); experiência
fora do corpo (Parapsicologia); viagem da alma (Eckancar);
desdobramento, desprendimento espiritual ou emancipação da alma
(Espiritismo).
2. Cúpula de energia (ou faixa de atividade do cordão de prata) -
Durante a projeção, é formada uma cúpula de energias que envolve
totalmente o corpo físico e o interpenetra em todas as partes. Essa
cúpula se estende de três a quatro metros ao redor do corpo físico, em
todas as direções. Sua origem e funcionamento estão intimamente
relacionados com a ação do cordão de prata, do qual ela faz parte. É,
por assim dizer, a parte mais densa do cordão de prata que se expande e
envolve o físico, vedando-o totalmente. Esse perímetro energético é
denominado de faixa de atividade do cordão de prata e é responsável por
uma série de fenômenos projetivos, tais como: catalepsia, oscilações do
psicossoma, tração do cordão de prata, repercussões físicas,
ballonnement, e outros.
Portanto, o projetor não deve recear que alguma entidade desencarnada
se aposse de seu corpo físico, abandonado durante a projeção. Isso é
impossível, devido à ação dessa faixa de atividade do cordão de prata,
que mantém o corpo físico isolado de qualquer interferência extrafísica.
Obs.: Cordão de prata - Conduto energético que liga o corpo
espiritual ao corpo físico; cordão astral, cordão fluídico; cabo astral,
cordão de luz; laço vital; fio de prata; cordão perispirítico.
3. Corpo espiritual - Cristianismo - Cor. I, cap. 15, vers. 44.
Sinonímias: Corpo astral - do latim, astrum - estrelado -
expressão usada pelo grande iniciado alquimista Paracelso, no séc. 16,
na Europa, e por diversos ocultistas e teosofistas posteriormente.
Perispírito - Espiritismo - Allan Kardec, séc. 19, na França.
Corpo de luz - Ocultismo.
Psicossoma - do grego, psique - alma; e soma,
corpo. Significa literalmente "corpo da alma" - Expressão usada
inicialmente pelo espírito André Luiz nas obras psicografadas por
Francisco Cândido Xavier e por Waldo Vieira, nas décadas de 1950-1960,
que atualmente é mais usada pelos estudantes de Projeciologia.
4. Paramahamsa Ramakrishna - mestre iogue que viveu na Índia
do século 19 e que é considerado até hoje um dos maiores mestres
espirituais surgidos na terra do Ganges. Para se ter uma idéia
de sua influência espiritual, posso citar que grandes mestres da Índia
do século 20 se referiram a ele com muito respeito e admiração, dentre
eles o Mahatma Ghandi, Paramahamsa Yogananda e Rabindranath Tagore.
5. Para mais informações sobre as experiências fora do corpo, ver o
meu livro "Viagem Espiritual - II" - disponibilizado para leitura
gratuita em nosso site - www.ippb.org.br
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